Atitude do Pensar

Atitude do Pensar

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Bom dia, astro rei!

Ando meio borboleta e meio lagarta. Inundada de anseio por mudanças e desejo de raízes. Submersa em águas, mas a ponto de observar a luz que adentra esta manhã. Ontem chovia, meus pés encontravam-se alagados, quase paralisados. Hoje, logo acordei, e lá estava você, com seus braços abertos a me esperar. Seu sorriso sútil chamava-me à uma caminhada. Dispensei a carona e resolvi aceitar sua companhia. Ela me contou acerca de primaveras e verões. Mar, abraços e saudades. E foi assim, em cada palavra, você paulatinamente adentrava à atmosfera do dia. Irradiando luz, e me pedindo apenas para observá-lo, permitindo que o vento jogasse meus cabelos em meu rosto, alimentando-me com doses de alegria. Para comemorar nosso encontro, resolvi fazer coisas diferentes, permitir-me. Dei alimento à minha alma, e o sabor é agridoce. Fiz mais, alimentei meus ouvidos. E o som, lateja aqui dentro. Agora, há o seu calor e a voz dele.
Bom dia, astro rei!
[devaneios de um raiar de sol, após tanta chuva por aqui, o sol deu o ar da graça, ao comtemplá-lo, lembrei-me do quanto ele pode ser agradável]

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Devaneios de quase férias

Quanto mais rápido é o ritmo, pior poderá ser o estrago. Seguindo essa lógica, meu coração empenha-se em afastar-se de expectativas. No entanto, são essas mesmas expectativas que nos impulsionam a viver, são elas que nos locomovem em todas as esferas do que denominamos vida.
Dentro disso, dezembro chega trazendo a tona reflexões - uma das funções exercida pela atmosfera de final de ano, que apresenta a hipocrisia humana em sua melhor estampa, onde todos tornam-se bons e generosos e, após as festas, tudo volta ao seu padrão. Contudo, se eu fosse fazer uma reflexão acerca desse ano que findará em breve, as decepções com a humanidade poderia ser o tema de 2011, visto que as decepções em meu círculo profissional invadiu-me mensalmente. E meu pobre coração, que enganava-se, acreditando não possuir expectativa, seguiu cambaleando, caminhando aos trancos e barrancos. Entretanto, ele ainda arrasta-se entre espinhos e feridas que sangram de forma latente, até porque, infelizmente, o ano ainda insiste em permanecer e, portanto, decepões continuam adentrando. Porém, meu coração é forte. Gosta de música e ponto final. Sendo assim, permite deixar-se levar pelo ritmo. E as expectativas? Ah, elas que se virem sozinha. Pois após tantas decepções, quero ir além do que apenas sobreviver. Quero sol (isso mesmo, eu que adoro outonos, nesse exato momento anseio pela luz e calor do sol para me aquecer). Mar (e sua força renovadora). Abraços dos de longe (que sempre trazem alegrias inefáveis). Uma gata como companhia (porque o ronronar dela é um santo remédio). Taças (mesmo que ocorra somente em 2012). Música (questão de necessidade básica) e boa companhia (porque estar só é bom, mas estar junto tem sido melhor).

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A complexa tendência a maldade

Ser humano. Catástrofes. Forças midiáticas. Espécie. Atrocidades. Covardia. Tirania. Conterrâneos. Ditadura. Desigualdade. Sanguessuga. Família. Sanguinário. Euforia. Oprimidos. Sociedade. Coletivo. Apartheid. Bomba atômica. Humilhação. Extermínio. Nazismo. Fragilidade. Vulnerabilidade. Préconceito. Assassinato. Imposição. Animais. Irracionais. Humano. Soberania. Estimação. Infância. Pedofilia. Mulher. Violência. Espaço. Individualismo. Racional? Descartável?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A gente somos inúteis

Com os filósofos gregos, descobrimos que as indagações e a busca por respostas fazem parte do contexto humano, isto é, compreendemos que é um dos traços mais marcantes da natureza humana.

De onde eu vim, para aonde eu vou?

Qual é o meu papel na sociedade?

Perguntas como essas sempre estiveram presentes em nosso cotidiano.

Filosofia de buteco ou não, permeia nosso espaço social e individual.

Dentro desse universo, pode-se perceber que a humanidade busca um sentido de utilidade prática, que poderá ser impulsionada por seus desejos, sonhos e objetivos de vida.

A religião é outro mecanismo que trabalha a utilidade, observamos isso nitidamente no cristianismo e espiritismo.

Sendo assim, somos bombardeados internamente e externamente pela velha pergunta que teima em buscar espaço em nosso ser: Afinal, pra que estou aqui nesse universo repleto de tantos outros humanos e possivelmente de outros seres também?

Faço parte de um corpo orgânico, onde habita vários outros seres, de um fluxo que torna necessária a relação social.

Nasci, me alimento, durmo, produzo, reproduzo, acordo, vivo, procrio, morro. Mas, afinal, de onde eu vim? Pra aonde eu vou? Meu papel está em quem sou? No que faço? Nas marcas que deixo?

Qual a necessidade prática da minha existência?

Nesse sentido, é válido refletir no quanto isso influência em nossa vida, ou seja, até que ponto somos conduzidos por essas questões e qual o poderio que elas exercem sobre nós?

Será realmente necessário possuir resposta para todas as dúvidas?

Não defendo a alienação, antes o contrário, mas admito que acredito que há coisas nesse universo que são inescrutáveis. E há momentos em que vivemos mais em busca de respostas do que em abosrver e apreender o que está diante de nossos olhos.

E atualmente, preocupo-me - de forma consciente - apenas em simplesmente viver, absorvendo as gotas homeopáticas de alegrias.

Repleta de sonhos e ideais?

Sim.

Porém, vivendo o que possuo nesse instante. Pois no momento, possuo somente o agora. E dele, quero levar apenas sorrisos daqueles a quem amo.

E se alguém me chamar de inútil, terei o maior prazer em responder-lhe: A gente somos inúteis.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

El piel que habito - Velhas questões que permeiam nossa humanidade

Desde que assisti ao filme Edukators no inicio desse ano, eu não havia tido o prazer de assistir nenhum outro filme que o superasse e, portanto, encontrava-me em pleno anseio por dois lançamentos que iriam ocorrer: Melancholia de Lars Von Trier e El piel que habito de Pedro Almodóvar.
Acerca de Melancholia calarei-me, pois até a presente data não foi possível degustá-lo, mas quanto a nova produção de Almodóvar pretendo rascunhar algumas palavras nas linhas que se seguem.

Almodóvar é conhecido por trabalhar questões delicadas e polêmicas em seus filmes, apresentando constantemente mulheres fortes, personagens emblemáticos e complexos. Além de possuir cores que o representam por meio do vermelho, roxo e verde.

No entanto, dessa vez, o diretor resgata um personagem masculino e o que permeia sua vida. Contudo, de certa forma, acredito que ao entrar no cinema, muitos ainda esperam que em algum momento - mesmo que sutilmente -, se depare com o perfil de mulher retratado pelo diretor. E isso ocorrerá, porém, repleto de outros atrativos.

O filme contém todas as temáticas discutidas ao longo dos filmes já produzidos por Pedro e revela personagens paradoxalmente fortes e frágeis, o que não é nenhum ponto diferencial do que o diretor traz ao longo de sua carreira, como produtor e diretor.

Porém, através de um enredo de tirar o fôlego, Almodóvar aparece mais maduro, e a trama nos envolve em cada segundo. Não há somente um grande personagem, mas seis personagens que contribuem para que a história contada vá criando uma atmosfera que pondere a diversidade humana, bem como o encontro de nossas mazelas e o que surge delas.

La piel que habito, em minha humilde opinião, é a melhor obra do autor assistida por minha pessoa. Narra um conjunto de histórias que se entrelaçam a partir de perdas, omissões e vulnerabilidades.

Almodóvar nos mostra que são nos traumas que encontram-se as maiores mazelas da humanidade. Na fragilidade humana que inicia-se e encerra-se nossa humanidade em toda sua plenitude. Podemos observar reflexões críticas em relação a cirúrgia plástica, as questões de gênero, a identidade, a liberdade e às relações sociais. Ambas visivelmente articuladas.

A trilha sonora merece muita atenção, pois é de uma qualidade sonora excelente, além de nos permitir mergulhar pela cultura européia e latina. O Brasil aparece através de músicas e por meio dos personagens Zeca (Roberto Álamo) e Marília (Marisa Paredes).
E para que eu não descreva mais do que deva ser revelado, encerro-me por aqui, ainda digerindo esta incrível produção cinematográfica.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Cultura elitizada

Iniciei os primeiros rascunhos desta postagem no final do mês passado, mas a correria cotidiana tem me aprisionado e, portanto, falta-me tempo para dar o devido valor ao assunto. No entanto, ao ler o artigo Cultura de crises ou crise de cultura? do Doutorando Rafael, acabei me rendendo a esta velha discussão que permeia minhas reflexões: Cultura x Acesso.

Muitos teóricos defendem que a cultura e a educação são os pilares da democracia, igualdade, cidadania e emancipação. Contudo, temos alguns paradigmas como Cuba, que nos revela que há uma necessidade de estender estes à outros itens de direito, como o acesso a bens e serviços de qualidade, dentro do âmbito da saúde, propriedade privada, alimentação e afins.

Porém, como este assunto é amplo minha intenção aqui não é trazer conclusões, mas sim, reflexões. Nesse sentido, não irei discorrer uma comparação mais intríseca - não nesse momento. Entretanto, dentro desse universo, várias críticas perspassam minha mente, tais como o que é acesso à cultura - que em si já é tema para grandes discussões.

Outro ponto sempre presente em minhas discussões acerca da cultura, situa-se em qual é a participação da população na criação das políticas públicas culturais e qual a porcentagem que o governo deve reservar para a cultura.

Um bom exemplo da problemática existente nesse ponto é o que tem ocorrido atualmente em Belo Horizonte: Chico Buarque veio para lançar seu novo CD - o que deveria ter me alegrado sublimamente, contudo, sua vinda representou apenas uma cultura popular elitizada, uma vez que o ingresso custa R$290,00. Sendo assim, somente a elite econômica participará. Por outro lado, neste mesmo momento, recebemos a informação de que o governo mineiro diminuiu 18% da verba para a cultura. Restando-me recordar-me das produções intelectuais brasileiras, nascidas de uma elite que possui educação e cultura de qualidade, uma elite que tem acesso ao que se autodenomina música popular brasileira.

Nisso, surgiram algumas perguntas: Que elite é essa? Que música popular é essa? São respostas que não possuo, mas me encaminham em rumo a outras reflexões. Como por exemplo, na defesa de alguns pela popularização da cultura - o que temos observado em campanhas do Estado, onde este disponibiliza o serviço por preço mais acessível. O que acredito ser válido, porém, é apenas um início, um paliativo, pois o preço mais acessível contribui principalmente para os que já consomem cultura, ou seja, estes, passam a consumir mais, e os que não consomem, não se achegam a ela.

Mas afinal, é importante lembrar que acesso está além da disponibilização da cultura. Está nos mecanismos que nos permite chegar até ela. Dentro disso, me questiono acerca do que nos impulssiona a participação. Outro item que encabeça essa discussão, encontra-se em o que faremos com essa disponibilização, com esse conhecimento da cultura. Em suma, o que ela produzirá em nós e por meio de nós.

Em seu artigo, Rafael defende a necessidade de uma sociedade de cultura que se contraponha à sociedade de consumo, o que sou a favor. Já Stuart Hall defende a necessidade da utilização dos mecanismos já existentes, como a cultura popular (futebol, carnaval, maracatu e afins) para a difusão de novas discussões. E o principal, como um canal de emancipação e cidania. O que é de um valor imensurável.

Sendo assim, qual será o primeiro passo?

Desconstruir a cultura elitizada?

Como?

Por meio da participação popular frente a construção das políticas de cultura?

Com certeza.

Mas como o povo se achegará a cultura?

Quem o levará?

O Estado?

Muito pouco provável.

O próprio povo?

Talvez.

E como sugeri no início, que a discussão permaneça.


[perdoem-me pelo sumiço, espero que ano que vem as coisas se regularizem]

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

É tão bom



É tão bom te ver entre girassóis e estrelas.
Deixar o coração bater sem medo.

[Entre reformas na casa e falta de tempo, consegui dar uma escapada e sexta foi dia de prestigiar Lô Borges no SESC Paladium. Grande show, boa companhia. Domingo foi dia de Ópera, os dramas italianos, chocolate quente e a ]

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Paradoxo de um coração

Na esquina te encontrei, entre copos e buracos à sinuca de duas vidas. Pensei ser tarde, pensei estar resolvida, porém, a lua falou-me palavras de amor, e o tempo pregou-me peças que ainda não completaram o quebra cabeça. Era noite, o menino bonito de olhos de ressaca contava-me do velho. Enquanto ouvia-o sentia o odor agradável do novo. Paradoxo de um coração. Um abraço. A estrada. A estação. Meu sangue pulsando, minha mente distante, num longe quase conhecido. Numa saudade constante. Num querer outros olhos, outros sorrisos, o novo. Sim, é outubro. Sim, é primavera. Sim, é temporada das flores. No entanto, também das chuvas e de um inverno contínuo alojado em minha alma. Perguntas batem à porta e o que me resta é procurar por respostas. Contudo, as gavetas estão repletas de outras histórias, outras fotografias. São meros borrões. É o novo, mas ainda o velho... paradoxo de um coração...
[o tempo ainda é curto, a estação é percebida de longe e vez ou outra eles falam comigo: a, b, c]

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Ela, entre lagartas e borboletas

Meus passos tem sido trôpegos. Lentamente o relógio canta tic tac. Seu ritmo é lento, uma harmonia bela, triste e sufocante. Paulatinamente dou passos em busca de uma paz que não é visível. Desisti de falsas esperanças de primavera. Necessariamente, vivo submersa em invernos gélidos. Não estou presente, porém, também não ausente. Ouvir é necessário. Refletir. O medo bate à porta e espreita-se entre espinhos alojados em minha alma. Há luz. Esta, encontra-se fraca, mas ainda é capaz de anunciar vida e consolar-me com seu calor. Os abraços e sorrisos daqueles a quem amo expressam o refúgio encontrado pelo meu ser. Confiar é preciso. O momento pede tempo ao próprio tempo. À escrita e às visitas. O voltar ainda não é certo, mas afinal, sempre estarei somente de passagem. A metanónia expande-se, e eis que uma nova borboleta surgirá. Ela menina. Ela, em busca de novos balões.


[quando for primavera eu retorno, enquanto isso, fica a saudade de todos]

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ainda é inverno

"Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambigüidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos."

Lya Luft

Sei que sou invernos e outonos e, que ainda não aprendi a ser primavera. Contudo, algo me diz que os mesmos olhos que aprenderam a alcançar os ipês do inverno, será capaz de se transformar em primavera.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A morte da esperança

Dizem que a esperança é a última que morre.
Se for, estou a um passo da morte, habitando comas da alma.

"Fiquei. Você sabe que eu fiquei. E que ficaria até o fim, até o fundo. Que aceitei a queda, que aceitei a morte. Que nessa aceitação, caí. Que nessa queda, morri. Tenho me carregado tão perdido e pesado pelos dias afora. E ninguém vê que estou morto."

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Máscaras da feiúra

Ouvimos diariamente as seguintes afirmações:

- Beleza é relativa.

- Há gosto para tudo.

No entanto, os padrões de beleza estão postos à nossa frente por meio de todos os formatos de mídia. Sendo assim, constantemente, muitos de nós buscam se adequar a esse padrão. Porém, o alcance deste é caro e trabalhoso, e alcancá-lo pode custar a própria vida, como percebemos através de doenças como a anorexia e a bulimia.

Dentro disso, sabemos que esse assunto tem sido discutido por diversos especialistas, contudo, pode-se visualizar a necessidade de que essa discussão não se limite somente aos padrões estéticos, mas comportamentais. Adentrando nosso cotidiano e nossas relações sociais, nossa identidade individual e a forma como agimos diante da sociedade.

Para Aldous Huxley "A beleza é uma carta de recomendação quase impossível de ser ignorada; e com muito frequência atribuímos ao caráter a feiúra do rosto...não fazemos a menor tentativa de penetrar além da máscara opaca da face até as realidade existentes por trás dela, mas fugimos dos feios ao vê-los sem tentar sequer descobrir como são realmente".

O escritor ainda dirá que desde criança possuimos aversão ao feio, e que ao ver certo visitante cujas feições lhe pareçam desagradáveis a criança foge, porque o visitante "feio" é "'ruim", é um "homem mau". Quanto ao homem na idade adulta, não irá mais gritar ou sair correndo, mas raramente permitirá que os atos do "feio" próvem que seu rosto lhe contradiz seu caráter.
Na sociedade contemporanea - ou desde que há humanos -, há aqueles que fazem sua própria imagem e seu estilo, alguns tão autênticos, que tornam-se bizarros, "feios", estranhos, peculiares, ou como você, caro leitor, desejar chamá-los.

Bem, dentro desse universo de "feios e belos", eu não seria a melhor pessoa para "enquadrar" o que é "belo" ou "feio", pois como eu já comentei por aqui, os peculiares sempre me chamaram a atenção. Não pela possível feiúra, mas pela autenticidade. Porém, dentro de toda essa discussão, foi a fala de Huxley que me deixou refletindo. Afinal, temos como um dos desafios, ultrapassar as máscaras da feiúra, do estranhamento. O que, infelizmente, como demonstrado muito bem por ele, raramente conseguimos.

A feiúra e a pobreza ainda são capazes de trazer desigualdades, criar estigmas, paradigmas. Ou melhor, nós damos vida a esses, e permanecemos reproduzindo barreiras, padrões e conceitos negativos.

Enfim, o que pode ser "feio" para um, pode não ser para outro. Contudo, ultrapassar certos conceitos negativos é um desafio necessário à todos.

Viva a alteridade!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Beira-Mar

Eu sei que é apenas o início de uma semana e, sinceramente, uma segunda-feira não costuma me assustar. Paulatinamente, me empenhei em ir além do tempo gasto no trabalho, dar algumas voltas pela praça, e quem sabe, lá, encontrar alguma paz brotando dos jardins da "Liberdade". Mas era um querer pesado. Afinal, meu corpo ainda encontrava-se na desesperança do ontem. Enfim, aceitei o abrigo de casa, o ronronar de uma gata e a companhia de duas loiras (cervejas). Tê-las em plena segunda-feira é raridade e, portanto, entre leveza e sorrisos fui dormir, entendendo que é necessário respeitar o tempo, e, acima de tudo, o meu tempo, meu espaço, meus pedaços. O dia amanheceu, acordei reconhecendo nuances de primavera, o sorriso do céu anunciava uma nova estação. Ainda não sou capaz de enxergar as flores, a liberdade. Mas amanhã...ah, amanhã será outro dia...e hoje, quero apenas o mar.



"Olhe, por dentro das águas há quadros e sonhos. E coisas que sonham o mundo dos vivos."

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Mulher à madrugada

Hoje eu queria poder dizer que tudo está bem. Que os sonhos estão vivos e com cores vibrantes. Gostaria de acreditar que ainda reside esperança. Que esta, encontra-se no céu e nas promessas de primavera. Porém, infelizmente, meu corpo está cansado e meus olhos ressecados. Acreditar está difícil, doído, sofrível. Na longa viagem realizada na noite de ontem, percorri lugares que me são conhecidos, mas tudo estava tão escuro e distante, não sendo possível enxergar as cores que outrora ali já estiveram. Após o regresso, percebi que as flores do jardim estam mortas. Não há alegria em renascer. Sorrisos são inexistentes e o sentir está confuso. Contudo, não é medo, tristeza. Mas sim, um cansaço, um não querer, uma desesperança. A espera e o silêncio sugaram minha força. É, quem sabe "algum dia, talvez, algum dia, nada mais vai ser assim". Quem sabe em algum momento dessa estação, eu possa dizer: "Aprendi com a primavera; a deixar-me cortar e voltar sempre inteira". No entanto, hoje sou apenas pedaço. Espera. Desesperança. Espaço. Silêncio.

[Título dessa postagem, inspirada em uma produção mineira "Mulher à tarde", que assisti na Mostra Indie, na companhia da , minha amiga Tempestade. Frases citadas, nasceram das primaveras de Cecília Meireles]
[Ouvindo um som novo, peculiar, ela]

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Era setembro

Era o quarto dia do mês. Final de noite de um sábado de samba. Meu corpo estava coberto por um vestido estampado de flores, e meu sustento protegido por sandálias verde de couro. O encontro estava permeado por uma atmosfera de mágoas, rancores e tentativas frustradas. Minha pele arrepiada pelos últimos vestígios do inverno, sentia frio. Porém, mais gélido ainda estava meu coração. Os últimos meses possuíam em sua fala, melodias de um tempo que não poderia mais ser vivido, porém, havia deixado feridas profundas.
Contudo, foi amor. E onde agora existia somente dor, havia residido risos, abraços, mãos dadas, calor. Sendo assim, as duras palavras que saiam de sua boca contrastava com o tamanho do bem querer que seus olhos sempre me contaram.
O vento cortava minha pele, mas era meu coração que sangrava. Entre espaço e silêncio nossos corpos resistiam. Respondendo-lhe calmamente, eu disse: É o fim. O último abraço de um amor cor de amêndoa. Com cheiro de matte. Fim: sem lágrimas ou temores.
Afinal, o calendário anunciava o final do inverno e o inicio da primavera. Nova estação, nova alma, novos poros, novos quereres e sentires. As flores iriam reflorescer. As noites seriam mais curtas e os dias de sol mais longos.
Era setembro.

[Nunca fui muito boa com datas, mas foi em 04/09/2010 que tivemos a certeza que já não era mais amor]

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Honestidade x "Jeitinho Brasileiro"

Honestidade, corrupção e "jeitinho brasileiro".
Em qual desses pontos nos encontramos enquanto indivíduo e sociedade?
Há pessoas 100% honestas?
Bem, particularmente, acredito que não.
Porém, para destrinchar mais acerca desse assunto, fui convidada à fazer uma refelxão aqui, juntamente de mais 3 colegas blogueiros.
Vambora?
Raramente, quando se fala acerca de corrupção, associa-se o “jeitinho brasileiro” individual ao “jeitinho brasileiro” coletivo. E nisso, percebemos que nossa visão de corrupção está fundamentada nos políticos, e não em nosso cotidiano onde perpassa nossas relações sociais.
No entanto, é sabido que o “jeitinho brasileiro” é reconhecido no âmbito nacional e até internacional, como a forma que os brasileiros têm para resolver seus problemas. Portanto, permeia todo o universo brasileiro, iniciando pelo individual e coletivo até tornar-se em parte nossa identidade nacional.
Enquanto indivíduo, posso afirmar que infelizmente não sou 100% honesta, mesmo apreciando a veracidade dos fatos e até mesmo da identidade pessoal. Inclusive, posso afirmar que em muitos momentos, ocorre de forma involuntária, contudo, me esforço para que não exceda a minha identidade, meus valores.
Como citado acima, esse estigma brasileiro denominado “jeitinho brasileiro” é reproduzido constantemente em nossa sociedade, e ao realizar uma análise mais intrínseca sobre esse fato, percebe-se que tal jeitinho, está alicerçado na falta de honestidade que a sociedade brasileira tem construído historicamente há séculos, por meio de vínculos com o coronelismo, paternalismo, ou simplesmente na troca de simples favores.
Estigma ou não, a reprodução histórica desse fato, pode nos impedir de legitimar direitos nacionais e universais, pode ainda, manter no poder, pessoas desqualificadas, e reproduzir corrupção nas coisas mais frívolas do dia-a-dia.
Iniciando em coisas que pensamos ser pequenas, como a não devolução do troco, a ocupação do lugar reservado para idosos e afins, a fila do banco ou supermercado que passamos na frente, até a compra do voto político, mantemos em constante evolução o que consideramos abominável: a corrupção.
O antropólogo Roberto da Mata afirma que há uma relativização dessa corrupção, pois parte da idéia que aceitamos determinados modelos de transgressões, mas não outros. Nesse sentido, Da Mata entende que, quando localiza-se na esfera individual a corrupção é aceitável, mas quando parte para o coletivo, a massa, é inaceitável.
Mas afinal, o que fazer?
Talvez iniciar uma reconstrução da ética individual e nacional. Entretanto, pode ser que seja necessária não a reconstrução, mas sim, a construção, visto que o “jeitinho brasileiro” nasceu na própria colonização de Portugal no Brasil e, portanto, está arraigada em nossa atmosfera.
Enquanto isso vale a pena uma reflexão individual de como estamos construindo o que mais criticamos enquanto indivíduo político, repensando assim, nossos atos frente às nossas relações sociais, buscando então, uma vida honesta, ou o mínimo corruptível possível.

[obrigada pelo convite, Emi]

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Logo ali

Logo ali, onde encontra-se amigos, inverno, tapioca, chorinho, abraços e alegrias.

[Foto tirada por Raulzito na Feirinha Tom Jobim]

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Um lugar para estar

Em abril eu questionei se amar é uma escolha.
Nessa semana, comentei com a Fer, que meu coração é quem manda, e mesmo sendo muito racional para certas coisas, ainda não sou capaz de controlá-lo - e nem quero.

Contudo, há certos momentos em que seria bem mais fácil estar com os príncipes e não com os ogros. Diante disso, mesmo sendo aversa aos príncipes, por estes soarem falsos - e outros motivos que não citarei agora -, a estabilidade e o equilibrio que estes geram pode ser bem vinda (tá, mas quem me conhece sabe que o equilibrio não é tão apreciado por mim, desde que entendi que este é morno e, portanto, fica a ponto de vômito).

Enfim, minhas manias e vícios não permitem que eu seja capaz de amar alguém somente por admirá-lo. Meus valores e identidade, são maiores do que meu desejo de ser par.

No entanto, as vezes, também é muito bom saber que não abro mão do meu eu por nenhum meio metro de expectativas (né, Paulinha?).

Nesse sentido, se amar - nesse caso -, não é uma escolha, resta-me admirar a paisagem e aguardar pelo encontro.

Enquanto isso, curto a viagem, o sol que adentra a janela, as montanhas que alargam minha visão, os campos de girassóis que gera sorriso em meus lábios, o céu azul que nem lembra-me que é inverno. Absorvo o todo, inclusive os ipês dessa estação. Quando necessário, vez ou outra, troco de vagões.

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Comemoração de aniversário durante 4 dias (sim, eu posso fazer isso).

Ontem, amigos das antigas, vozes de rostos distantes e que me acompanham desde muito tempo, declarações de bem querer, saudades, taças e vinhos (obrigada, Devah), nhoque, música.

Sinceramente, minha lembrança de um dia de aniversário como esse, remete-se há uns 5 anos atrás. Após isso, eu já não gostava mais de comemorar. Porém, as coisas mudam, e essa mudança veio lá de longe, ao conhecer uma certa Borboleta.

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Hoje na construção, aprendendo "onde parar e quando descer".

Contudo, ainda no ontem, que trouxe-me balzaque na idade, mas também um lugar para estar, mesmo sendo necessário limpá-lo.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Aniversário da menina dos balões

Hoje ela deseja apenas suspiros e afagos.
Abraços demorados e sorrisos largos.
A companhia de amigos e gargalhadas ao fundo.
Uma taça de vinho e uma massa.
Chico e Bethânia.
Paz e milk shake de nuttela.
Música e balões.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

As 4 estações

Há certos instantes em que tenho a sensação de presenciar todas as estações no decorrer de um dia... São dias como hoje, escutando as 4 estações de Legião Urbana...

07:00 da manhã de uma simples segunda-feira, o calendário informa que estamos no inverno. Porém, o ontem cantava acerca das flores e do reinado do sol. Mas o dia de hoje possui cor de saudade, e o frio que corta minha pele traz um rosto ainda desconhecido, uma voz que encontra-se distante e um abraço desejado. Será apenas um mero sonho de inverno?
Não sei, mas há tempos anseio por encontrar refrigério e proteção no poço de água limpa que habita em teu colo. Contudo, é sonho. E nas noites desse inverno durmo embalada ao som que vem lá de fora, que contrasta com essa quimera; maior do que o tamanho do meu peito. Vou dormir, é só o vento lá fora aquietando-me aqui dentro...

12:00 desta segunda-feira, entre mordidas e mastigadas observo o céu, explique-me: Por que ele está tão azul? São nuances de mistérios que alteram meus sentidos, comandando nosso duplo renascer. Discretamente, percebo que o sol bate à janela do teu quarto, revelando flores e sons. Tudo novo. Uma primavera em festa. Sei que ainda tudo é dor, entretanto, este é o tempo de recomeçar, colher flores das sementes que plantamos... Qual foi a semente que você plantou? Arco-íris? Sorvete? Algodão doce? Bolhas de sabão? Não? Ah, sim, balões... Então vamos segui-los até as nuvens, para contemplar o campo de girassóis sonhados nessa estação...

Vejo o sol iniciar sua despedida às 17:00 desta segunda-feira. Volta aqui. Num dia de verão. Não tenha medo, não quero transformar esperança em maldição. Muito menos estupidez em recompensa. Saiba, que estou do lado do bem. Estou do seu lado. Hoje, o sol brilhou e sorriu para nós. Chove lá fora... A melodia que nasce convida-nos a bailar sob as águas de refrigério. Nossa pele ressecada padece de restauração, e esse é o momento da verdade. Vem conhecê-la. Vem me amar. Estou acordado. Sem você nada seria...

A lua no céu lembra-me da minha solidão, já são 23:00, e esse dia encerra-se. Você não está aqui. E eu, confesso que, as vezes quero ir, mas também quero ficar. As folhas secas lá fora chamam-me a caminhar. No entanto, refugio-me em mim. Deixo-me nessa estação, sem fechar as portas e janelas. Porém, não sei onde estou, vai ver que é assim mesmo, e vai ser assim para sempre. Você me deixou sentindo tanto frio nesse outono, estava acostumada a sua voz, com teu rosto e teu olhar, e quando não estás aqui sinto medo de mim mesmo, meu espírito voa longe, vai com a paisagem. E o mundo passa a ser seu...
Mas meu amor passou...


[Esse foi o meu diário de sensações destas estações, ambas inspiradas nas harmonias e melodias do CD As quatro estações da banda Legião Urbana, com a presença das letras e sentires de lá]

Que tal sentir a inspiração nascida de 4 mulheres. Suas emoções. Quereres. Olhares...

Vambora?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Minha caixa de pandora

Risos, lágrimas, odores, sensações, dores, amores, sons, perdas, desamores, imagens. Tudo dentro da mesma caixa: A minha caixa de pandora - memória. Pode parecer loucura, mas são raras as ocasiões em que desejo o esquecimento, o não sentir. Nesse sentido, pela estrada de tijolos amarelos, sigo com minha caixa, que as vezes chamo de baú, gaveta... Lá, encontram-se fotografias do que passou, mas que de certa forma está alojado em minha pele, em meus olhos, em minha alma, e em tudo que eu represento. Bem, venho refletido sobre isso há algum tempo; a memória enquanto pertencimento e identidade. Em 2004, ao assistir Eternal Sunshine of the Spotless Mind - um dos meus filmes prediletos -, percebi mais claramente esse desejo - ou quem sabe necessidade -, de fulga. E sinceramente, não acredito que a intenção seja o esquecimento, mas o distanciamento da dor. No entanto, não sei se ao deletar alguém, ou uma determinada situação essa dor venha ser amenizada, pois as memórias possuem o poder de desenhar nossos contornos e somos uma tela frente a esse espetáculo. Outro filme que fala sobre esse assunto, mas como fato verídito é Iris, que narra os últimos momentos da relação entre a escritora Iris Murdoch e seu marido. Nesse caso, a escritora começa a sentir as primeiras manifestações de alzheimer. Ver seu sofrimento com a perda de memória, causou-me uma dor que é constantemente revivida desde 2001, além do nascimento de um medo dentro de mim: O de me perder. Eu poderia relatar outros filmes que abordam esse tema, mas atualmente meus olhos e sentidos estão pairando sobre o livro Leite Derramado de Chico Buarque, estou a 10 linhas de finalizá-lo, e durante toda a leitura encontro-me novamente refletindo sobre a memória. O livro é um apanhado histórico delicioso sobre o Brasil dos últimos dois séculos, e narra a história de uma família que viveu o auge econômico, mas enfrenta uma decadência social e econômica. Quem relata essa história, é o personagem principal, um homem idoso (por volta de 100 anos) que está no leito de um hospital. Em suas narativas percebemos falhas de lembranças, confusões, criando dúvidas nos fatos narrados. Dentro disso, também percebe-se a fulga de algumas verdades que o personagem não quer enfrentar. E repetidamente, a memória falando-me sobre sua importância e força, na tela chamada humanidade. Enfim, em meu cotidiano já enfrento as lacunas que nascem do tempo e da falta de vitaminas. Porém, não desejo que apaguem minhas lembranças dolorosas e a transformem em uma mente nova e tranquila. Prefiro antes, observar, absorver e reviver as fotografias que estão dentro da minha caixa de pandora. Mesmo que as ignore vez ou outra, ainda as escolho sempre presente, vivas, lúcidas, revelando-me quem eu sou, onde estou e para aonde vou.
[que as estrelas, a lua, o sol e as estações não passem, mas fiquem gravadas em tudo o que sou]

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Desassossego

Estou com dificuldades em construir pontes entre o meu sentir e o meu dizer. Submersa ao desassossego teimo em sentir..."Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto." Os dias correm, mas não os acompanho. Lá fora, o céu está de um azul que leva-me a maio, e os ipês falam-me acerca de alegrias ainda não desfrutadas, desenhando risos, lágrimas e olhares. Reflito em palavras de desapego e permito que o som das almas cure a minha dor...mas ela teima em ficar agarrada às superfícies ásperas do meu ser. Fico a observar aqueles que nasceram para a alegria; seus risos encantam-me, mas o que fazer, se parte da minha felicidade está na forma de apreciar a beleza da tristeza... “Mas eu fico triste como um por de sol quando esfria no fundo da planície e se sente a noite entrada como uma borboleta pela janela”. Borboletas revelam-me essa construção contínua chamada vida. E essa mulher de várias manifestações e sentires... e quereres em forma de risos... e leituras de um abismo mais profundo do que qualquer vazio, permeado de cores e sons.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Nascerá

Uma multidão de letrinhas habitando minha mente, como um furacão que vai surgindo, se misturando, se perdendo e consumindo tudo ao seu redor. Uma a uma jorrando em meu colo, rolando braços, barriga, pernas...Os poros perdem o equilibrio, a transpiração revela-se intensa. Eis a esquizofrenia dessa sexta-feira. Reflexos de uma filosofia de segunda, mas que ainda não pussui força suficiente para me tornar indiferente. Palavras que nascem de um sentido, sem formarem teorias. Quereres que transpassaram a noite, trazendo armas, vozes e medo. Dialogando acerca de um falso sossego...Porém há um abrigo, e este é seu abraço, seu beijo, sua voz acalentando-me...As letrinhas criam palavras, e as palavras frases, e as frases dias, semanas, estradas, viagens e estações...e alguns humanos vão pra nunca mais voltar, mas há os como nós, vivendo em dias de eterno vai e vem. Desenhando seu destino, colorindo o caminho... E o furacão? É consumido pelo nosso encontro.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Durma bem, querido

Cheguei a ponto de encontrá-lo. As folhas ainda estavam secas e os ipês lutavam contra o frio do inverno. O vento contava velhas estórias, e num momento de um leve suspiro nossas mãos se encontraram...Essas mãos que passearam pelos meus contornos, apreendendo curvas, pele, carne, e absorvendo minha alma... Seus olhos ainda sorriam para mim. Esse contraste do verde biológico e o amendoado de um amor que outrora havia habitado ali...O tempo estava leve. O espaço era transparente e sútil, mas as palavras surgiam como a despedida de um pôr do sol. Jamais seriamos os mesmos, mas já não éramos...Ainda pego meus olhos pousando sobre seus lábios. Eles insinuam-me fogo, desejo... De repente sinto sua barba roçando sobre meu pescoço, mas não passa de mera vertigem. Essa barba que cantou-me acerca de papoulas da india. Fizeram-me conhecer a devassidão de uma paixão...Procuro por ele, insistentemente. Não mais o encontro. O amor abandonou-nos. Ou será que fomos nós quem desistimos de renová-lo dia a dia?... O sol queima minha pele, recordando-me velhas feridas e cicatrizes. Mas passou...Percebo que você também possui as suas. Entre sorrisos nos conhecemos outro. Com marcas do que se foi...O relógio do prédio na praça afasta-nos. Porém já não estávamos de mãos dadas. Duas estradas...O beijo da despedida. Sem sal, sabor, calor. Fomos... Um amor... Resta-nos seguir adiante. Regenerar o ser, o querer, o encontrar. Quem sabe o se perder...O cheiro dessa manhã trouxe-me você. Sem dor, mágoa. Sem amor...Durma bem, querido. Pois eu estou de olhos abertos para contemplar o novo. Apreendê-lo com dentes. Lágrimas. Boca. Olhos. Braços.


[ainda com ele]

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Manhãs de inverno

Há certas lições que são necessárias durante toda nossa existência, pois há pessoas que irão nos magoar continuamente, pelo simples fato de serem humanas. Mas diante desse conhecimento, o que fazer perante as piores características humanas?
Bem, sempre esperei o melhor das pessoas, e por mais que eu quebre a cara e, fique momentaneamente com reservas, acabo dando novas oportunidades para as relações - nesse caso, refiro-me às amizades.
Possuo um ar inocente - como a confiança depositada pela criança nos adultos -, não sou capaz de enxergar o mal nessas relações, e exatamente por isso, as pessoas são capazes de magoar-me muito.
Aliás, enxergar todos os contornos de algo/alguém/situação, é muito característico da minha natureza. Porém, há momentos em que a dor desempenha o papel de educadora, esforçando-se por ensinar-me a agir diferente. Contudo, somente ao pensar na dor que surgirá ao agredir o meu ser, em busca dessa mudança, fico impedida de ir adiante. Nesse sentido, reflito se realmente devemos deixar de ser quem somos, para nos adaptar frente a essa luta denomidada relações sociais.
Não desejo perder essa inocência, mas preciso resguardar-me. Afinal, também não quero deixar de acreditar no paradoxo humano. E por mais que as dores causadas por este, sejam inúmeras, eles ainda são capazes de nos surpreender para o bem.

Hoje entre essas duas citações, pois o dia está cinzento e as folhas marrons, nessa manhã de inverno...

"Se a vida não tem preço, nós comportamo-nos sempre como se alguma coisa ultrapassasse, em valor, a vida humana... Mas o quê?"

"Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece..."

[nem tudo é tristeza, ainda mantenho-me acordada para as alegrias que podem nascer de um sorvete de limão, um treino de box, o ronronar de uma gata, uma amiga preocupada com minha sensibilidade, e o novo que há em cada dia, mesmo que esse seja em formato de uma nova música sussurrada em meus ouvidos. Além disso, adoro as manhãs de inverno]

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Cativando

Recentemente, visitei o pequeno príncipe de Saint-Exupéry novamente. Isso há umas duas ou três semanas atrás. Contudo, meu ser ainda está impregnado da presença desse lindo menino de cabelos cor de sol.
A RAPOSA E O PRÍNCIPE
...
__Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
__Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
__Ah!desculpa, disse o principezinho. Após uma reflexão, acrescentou:
__Que quer dizer "cativar"?
__Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
__Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
__Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bemincômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?
__Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
__É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços...".
__Criar laços?
__Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual
a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
__Começo a compreender, disse o principezinho...Existe uma flor...eu creio que ela me cativou...
__É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
__Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
__Num outro planeta?
__Sim.
__Há caçadores nesse planeta?
__Não.
__Que bom.E galinhas?
__Também não.
__Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia:
__Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca ,como se fosse música. E depois,olha! Vês lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
__Por favor...cativa-me!disse ela.
__Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
__A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
__Que é preciso fazer?perguntou o principezinho.
__É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei para o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
__Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
[ouvindo um novo som, ele]

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Quimeras

Quero descansar em seus olhos, sabendo-o não miragem, mas a força de um abrigo. Quero a poesia que nasce do seu sorriso. A companhia em estrada de tijolos amarelos nascidas de sonhos.

Quero pescar estrelas à noite que precede seus abraços. O cheiro de montanhas iluminadas pela vida que transborda em manhã de domingo. Quero o tempo em forma de encontro, e o forte sabor de um café em noite de sexta. Quero músicas de nossos risos. Lágrimas que surgem destes, por não caberem em nossos lábios e ultrapassarem nossos corpos e alma. É este querer em formato de contínua esperança. De espera acompanhada por canções que trazem seu corpo alojado em minha pele. Quero a certeza de ser cativada sem ser acorrentada. A liberdade de te amar. E o esforço de ainda pensá-lo, querendo-o. Quero a solidão que chama teu nome. A saudade que avista o céu do por do sol. E a contemplação do nascer de um novo dia. Quero tudo isso por inúmeras vezes. E não desistir por ainda não ser capaz de tê-lo. Quero a chuva de agosto para molhar meus pés e lavar minha alma. O céu que surgiu ao colocar-me de pé. A poesia construida por mais este dia. Quero querer-me sempre. E não despedir-me nunca.

[quimeras nascidas em uma manhã de domingo]

[Hoje na companhia dela]

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Metade - Por Oswaldo

E que a força do medo que tenho, não me impessa de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito não me tape os ouvidos nem a boca
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada mesmo que distante
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas, como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão
Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia, e a outra metade é canção
E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor, e a outra metade...
também.

"....Quando eu não estiver por perto
Canta aquela música que a gente ria
É tudo que eu cantaria
E quando eu for embora você cantará."

Por Oswaldo Montenegro

Através da noite

Ao acordar, descobri que a junção de álcool e quinta-feira não é das melhores. Segui viagem entre a sobriedade de se viver outro dia e a ressaca do ontem. Chegando em algum ponto, lembrei-me da multidão de pequenas coisas que possuem em seus contornos, representações de alegrias infindas. Finalmente, sexta-feira, minha imaginação corre livre. As estrelas ainda falam-me acerca dos balões. Quem sabe não pegue algum cometa e siga voando por aí... Vou fazer isso através da noite. Alguém quer vir comigo?


[aos amigos que embarcaram no mesmo trem comigo essa semana: Devah, Vera e Vini - o início do mês teve um sabor especial, graças à vocês]

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Minimamente Feliz

Por Leila Ferreira - jornalista.

A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida.
Afinal, desde que nos entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio da minha trajetória de vida), tive certeza de
que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.
Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-de-sol aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até grandes (ainda que fugazes) alegrias.
'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', sou adepta da felicidade homeopática. 'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito menor do que eu
esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo.
Alguns crescem esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares mágicos Agora, se descobre que dá pra ser feliz no singular:
'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.
Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma', respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes'.
Criada para viver grandes momentos, grandes amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.
Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'.
Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria Beckham?
Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades.
Podem até dizer que nos falta ambição, que essa soma de pequenas
alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos. Que digam.
Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso de espera.

[Enviado por uma amigo muito querido - Devah]

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Outras estações

Após uma noite de leveza, acordei preparada para pegar um trem para as estrelas. O desejo é encontrar os balões (desde que estes foram embora). Prometo entregar-me às paisagens; aos campos de girassóis que forem surgindo no decorrer da viagem. Também permitirei que o sol aqueça meu coração, acalentando-me no eterno ir e vir da alma. Nas noites frias, esperarei pacientemente pela lua, responsável pela esperança no breu. Ao embarcar, penso que é bem possível que eu seja surpreendida ao longo dessa viagem. Afinal, o amor pode surgir em alguma outra estação, trilho ou vagão...
Eu só espero que ele não me peça malas, pois tudo o que possuo são meros contornos, melodias e harmonias.
[Hoje na companhia dele, e dele]

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Estação e Doçuras

A ESTAÇÃO
" Por frações de segundo seria amor, mas por receio resolvi descer na próxima estação."
Por mim.



DOÇURAS DO CÉU


O céu de ontem estava com sabor de algodão doce. Seu sorriso era largo, como daquele menino. Namorando suas cores, quase me perdi entre os balões - juro que os vi lá no alto. Ao nascer, trouxe-me eles, não permitindo que eu me sentisse sozinha. No final da tarde, quando o breu tentou adentrar, lembrou-me das asas e senti uma multidão de sensações. Soltando fogos, agradeci pelos presentes. Porém, a noitinha, quando estava a me despedir, recebi a maior das delicias.


[são nas pequenas delícias da vida que sinto-me viva, as surpresas que ela proporciona para os que não estão dormindo]

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A chegada de gosto (agosto)

Tranquilamente, abri as janelas para que ele adentre. Sabê-lo enquanto desgosto, não impede-me de esperanças. Pois com ele, também chega o folclore. A Melancholia de Lars Von Trier. E a comemoração do meu nascimento. Com balões e flores. Amigos e risadas. Abraços e doces. Mês de Crime e Castigo de Dostoiévski. Leite derramado de Chico. Francês e antropologia na UFMG. Momento de enxergar e sentir o nascimento de novos girassóis. Afinal, quem disse que em agosto as flores dormem?

"Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma. Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles."


[Rubem Alves - companheiro de muitos invernos]

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Homofobia à africana

Que ser humano é contraditório, muitos concordam. Mas visualizar uma bandeira que defende a liberdade e justiça, nascida do desejo pela emancipação da ditadura, que fora perpetuada por longos anos em Gana, e associar tudo isso ao posicionamento do atual governante, Aidoo, acerca dos homosexuais, leva-me a uma reflexão dolorosa.
Na manhã de ontem, o site outraspalavras apresentou o artigo abaixo, que descreve o pedido de Aidoo à população de Gana, para que estes "dedurem" os homosexuais. Compreendo que, isso nada mais é, do que uma reprodução da discriminação, porém, em outro formato. Pois, se antes, num passado não muito distante, os negros eram discriminados pela cor (o que bem sabemos que ainda persiste em todo universo que refere-se a habitação de humanos), hoje, os homosexuais deverão ser encarcerados devido sua opção sexual.
Ainda não digeri essa informação, e, sinceramente, novamente sinto-me envergonhada em ser uma humana e também cristã.
Mas lembrou-me de uma discussão com um amigo que morou na África do Sul. Este, contou-me que obsevou que, apesar do fim do apartheid, há uma reprodução constante deste, pela própria população. Nesse sentido, compreendo que ações devem ser tomadas. Medidas que trabalhe a construção da cultura, pois a discrimação é algo que é reproduzido por anos, fazendo então, parte da cultura. Portanto, cabe a mudança na base.
E a dúvida ainda persiste...

Por Luís F. C. Nagao

Em novo sinal de como o conservadorismo moral atormenta a África, o ministro responsável pela região ocidental de Gana, Paul Evans Aidoo, pediu ao serviço de inteligência para rastrear e prender todos os gays e lésbicas.“Todos os esforços estão sendo feitos para livrar a sociedade destas pessoas”, afirmou o católico Aidoo, que também pediu aos proprietários de terra e imóveis para informar sobre pessoas suspeitas de serem homossexuais.
Aidoo parece usar como pretexto um artigo do Código Penal de Gana (de 1992), que condena “relações carnais não naturais”. Embora a Constituição garanta a não-discriminação por motivos de raça, local de origem, opinião política, religião, credo ou sexo, não menciona opção sexual.
A declaração ocorre no contexto de preparativos para as eleições, marcadas para fevereiro próximo de que no ano que vem haverá eleições no país. A Convenção Nacional do Povo (PNC), partido de Aidoo, está no poder. Tem havido eleições regulares desde 1992, quando uma nova Constituição pôs fim a 26 anos de golpes militares e instabilidade.
Ouro e domínio europeu: Localizada no Oeste da África (Golfo da Guiné), com 11,5 milhões de habitantes, Gana é parte de uma região que sofreu, desde o século 15, ocupações europeias. Aos portugueses, primeiros a chegar, sucederam-se holandeses. Rica em ouro, a região foi também explorada por ingleses, dinamarqueses e suecos. Em 1896, a Inglaterra assumiu seu controle, que manteve até a independência (1957). Um governo nacionalista, que contribuiu para a criação da União Africana, foi deposto em 1966, num golpe em que há suspeita de participação da CIA.
As jazidas importantes de ouro, ainda não esgotadas, e exportações de manganês, diamantes, chumbo e bauxita, fazem do país uma nação de renda média. Descobriu-se um grande campo de petróleo em 2007. A economia cresceu 14,33% em 2010 – o segundo maior índice do mundo. No entanto, há enorme desigualdade: 65% dos adultos são analfabetos e a expectativa de vida é de 60 anos.
Religiões africanas, que predominavam até a colonização, são ainda praticadas em certas regiões, mas o islamismo (15%) e cristianismo (69%) predominam. Assim como em outras partes da África, é desta última matriz religiosa que partem as pressões homofóbicas

terça-feira, 26 de julho de 2011

A menina dos balões

A espera em formato de espinho retalha minha carne. E minha pobre alma em cacos habita num abismo que a aprisiona. Não mais medo, mas a espera. O véu de lágrimas embassa minha visão, impedindo-me de alcançar a esperança. Querer ir não é partir - é alimento para meus lábios. Sua função é a dos rios; água viva para minha alma. Mas onde estão os balões? Não mais os encontro. Restando somente a presença das flores. Como seguir pelas estrelas? Rendida às flores, a menina dos balões esforça-se em ir, fluir com a correnteza. Será possível? Como caminhar sem os balões para a acompanhar? Seus pés terão que aprender novos passos. Não mais voar. O espinho a incomoda. A espera a tortura. Um desejo nasce: Que as flores exalem seu doce perfume, e novas sementes sejam capazes de florescer girassóis. Os balões? Esses virão com o tempo. Até lá ela terá aprendido a nadar.
[ouvindo ele]

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Entre ser Radical Chic e os cacos

Para Heat:


Para mim:
[Pra esquentar o frio que chegou de repente, nesta manhã de segunda]

APENAS CACOS OU OBRA DE ARTEO dia de hoje segue com cores nostálgicas e sons que doem aqui dentro. De repente, sinto que a memória ainda controla. E acima desse sentir, há o saber; a certeza de que ela ainda reproduz, não o amor ou desamor, mas os medos. As falhas. As expectativas. Enxergo algo que não agrada aos meus olhos e menos ainda a racionalidade: fragilidade. E dessa vez, o frio que permeia a atmosfera lá fora, faz-se presente. Meus pés descalsos, sentem o frio que fica registrado sob o solo, mas são os cacos que os impedem de ir. E enquanto minha pele seca carece de hidrantes, minha alma diz-se perdida - o que espero que seja somente por instantes. Porém, também constato que estar pronto não é a solução. Que há momentos de limitação. De espera. De construção. Envolvida pela atmosfera do medo, percebo um que fala mais alto. E é este mesmo medo que me motiva a correr o risco de seguir em frente. Pois para o amor não há fórmula, referência, mas sim, experiência. Portanto, sigo. Por vezes com a visão embassada, mas os ouvidos atentos. Em outras, avistando meu lindo jardim de girassóis, mas inundada do silêncio. Nesse momento, embalada ao som dele, um achado lá no blog do querido poeta, Jorge.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Para minha querida comedora de carne humana

O ontem ainda reside aqui. Ao encontrar-te me encontrei. Nossas palavras unidas possuem o poder de construir estradas, pontes, e quem sabe um novo mundo. Que agradável surpresa ver meu nome nos agradecimentos, mais ainda nos escritos. É verdade, amiga. Nos compreendemos sem palavras. E quando elas existem, jorram como água purificadora, renovadora. Se é pra viver de cliche, que seja com você (aceitamos até mesmo rimas).

Há amigos que sempre o sabemos. Há amigos que subsistem ao tempo. Ao espaço. Às diferenças. E até mesmo aos ex-namorados (hehehe).

Há amigos que são família. Há amigos que o vínculo é o sangue da alma. Há amigos que nos ensinam o prazer de se comer carne humana (ahahah).

Esse amigo é você, Ita!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Se o diabo veste Prada, eu visto o quê?

Nos encontramos em um momento aonde os adolescentes já saem do ensino médio com sua carreira pré determinada - sem generalizar. Dentro desse universo de projetos e conquistas, encontro-me entre sonhos, desejos e realidade, uma vez que não sou mais adolescente.
Ao realizar a soma, o resultado é insatisfação constante.

Há cerca de 5 anos atrás, abandonei a área social para conquistar independência financeira, pois havia descoberto ser necessário ter meu próprio lar, o que eu jamais havia planejado possuir. Nesse sentido, precisava firmar raízes por um tempo, refletir sobre aonde desejava chegar e, estabelecer metas. Pela primeira vez ficaria presa à pessoas e locais.

Contudo, no decorrer desses anos não alcancei tudo que eu desejava. E somente agora, encontro-me no melhor momento da minha carreira na área da saúde - o que também não planejei. Porém, estranhamente, jamais me senti tão frustrada, o que revela que reconhecimento e dinheiro não possuem tanta força quanto se imagina.

Refletindo acerca disso, lembro-me que comecei a trabalhar com carteira assinada aos 15 anos, logo após meus pais falirem. Há 3 anos habitando a capital mineira, nos encontramos em meio a dívidas e distantes da família.

Nesse tempo, com pouca verba, contribuia em casa e supria minhas necessidades básicas. O que me ajudou a construir um conhecimento sobre como administrar o dinheiro, auxiliando-me bastante ao sair da casa dos meus pais (aos 17 anos).

No entanto, meus sonhos sempre foram voltados às asas, com algo que não tivesse raízes; viajar, conhecer lugares, pessoas e culturas diferentes. Por se tratar de algo mais subjetivo, custei a definir uma meta quanto a faculdade. Exatamente por esse motivo, iniciei minha graduação somente quando avistei meu horizonte. Contudo, nem aqui consegui alcançar o que realmente quis, tendo que escolher uma opção próxima, visto que o curso desejado é diurno, e pra quem é independente financeiramente (ou dependente quando se refere a sua própria manutenção), não seria possível.

Frustração inicial a parte, constatei que poderia me graduar numa área próxima e buscar minha especialização por meio do mestrado na área em que realmente desejo atuar. Porém, os percalços são vários e enormes; a falta de tempo, o cansaço e a insatisfação com o curso de graduação fizeram com que eu quase desistisse. Tranquei a matrícula, decidi fazer matéria isolada e adiantar o projeto de mestrado - isso quase formando.

Atualmente, meu anseio é concluir o curso de graduação e entrar de cabeça no mestrado, mas algo é contínuo: a insatisfação em relação a graduação e ao trabalho. Ambos ficam martelando em minha mente diariamente. E por esse motivo, vivo numa montanha russa de sensações.

Nesse sentido, ontem, ao rever o filme O diabo veste Prada, sucumbi às lágrimas. Pois enxerguei-me na personagem Andy, que possui seus sonhos, mas estaciona-os por necessidade. Chegando ao limite de transformar-se para fazer parte do lugar.

Bem, ainda não sofri essa metanóia, mas havia planejado sair do trabalho e viver para a academia (pegar alguma monitoria, projetos de pesquisa e dar aula pelo estado) desde já, uma vez que meu projeto é trabalhar com pesquisa e lecionar.

Entretanto, mantenho-me no impasse, visto que me acustumei com uma qualidade de vida que não conseguirei no inicio. Qualidade esta que nem é tão boa, mas é a melhor que já tive.

Alguns amigos comentam que primeiramente preciso me estabilizar financeiramente, mas pergunto-me quando isso ocorrerá, e o pior, se ocorrerá.

Enfim, trabalho sem motivação.

Vivo o agora sonhando com o amanhã.

Sinto o mundo me chamando a desbravá-lo, mas fico presa no momento.

Ainda bem que não possuo nenhuma Miranda Priestly em minha vida.

Em compensação também não tenho um namorado que cozinha (risos).

Mas tenho minha alegria de ir pra casa: Srta. Woody Allen, a gata mais linda do universo chamado apartamento.

E enquanto não sou capaz de definir qual o próximo passo, retorno para o ronronar mais gosto que há.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

É bom ser menina



Da minha contemplação contínua desse céu que me cobre, lembro-me da fome e sede voraz que as meninas possuem.
Engraçado como a brevidade não as assusta.
Aliás, seus medos são tão singelos que cabem em uma mão.
Já não posso dizer o mesmo de seus sonhos; imenso como o céu.
Sua curiosidade insita às descobertas. A invasão do mistério.
Elas - as meninas -, brincam com o tempo.
Revelam a ele que são capazes de despertar paixões, enquanto ele as adormece.
Da varanda elas brincam de construir sonhos com as nuvens. Uma a uma vão tomando forma.
Encontro-me entre a lógica do tempo e o caos do pensamento. Lá habita a menina-mulher.
Que não sonha com príncipes, mas com a chegada do menino de sorriso acolhedor.
A menina diz que a fórmula desse encontro é o acaso.
A mulher a escuta atentamente, sem deixar de observar o céu, que sutilmente, dá sinais de inverno.
Mas o frio não a encolhe. Antes a desperta!
Pois é assim; menina-mulher.
E enquanto a noite estiver tão linda, ela vai ficar.
Afinal, é tão bom ser menina.

[Para as meninas do meu coração: Nel e Paulinha]
[Tiê - Na varanda da Liz]

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Uma missiva à Lya

Já vivi do passado. De sonhos e lucidez. Hoje vivo de ambos. Equlibrando-me na linha de cada estação. Porque se há um trilho, ainda não o vejo. Mas já o sentir, esse se fez sempre presente.


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Hoje, graças ao convite da Lu do sotão, estou aqui. Entre cartas, passado, presente e futuro.

Vambora?

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O sorriso do céu

Ontem o céu sorriu para mim.

Acompanhou-me da saída do serviço à casa.

Pelo percurso da noite, balbuciava palavras encantas que emanavam paz.

E ao chegar em casa, acolheu-me em seus longos e ternos braços.

Hoje, ao acordar, ele ainda estava lá, e suas palavras chegavam aos meus ouvidos como a mais bela das sinfonias.

Falou-me sobre o tempo, as perdas, o recomeço.

Em seu refúgio, pude sentir-me protegida.

A cada oportunidade espreito a janela para ainda contemplá-lo.


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Não recordo-me de um inverno com nuances tão belas.

Onde o céu revela-se sem cores de tristeza.

O mais engraçado, é que sempre gostei de inverno, da melancolia que está sempre presente, das cores frias, do chocolate quente contrastando, das boinas e casacos, dos caldos e amigos partilhando destes, dos vinhos e massas cada vez mais presentes e desejosos.

Mas o fato, é que nos dois últimos invernos os dias foram dolorosos. Tristes. Vazios. Repletos de rompimentos. Idas e vindas.

E nesse momento estou aqui dentro. Não diria que completa, mas lúcida.

Minha alma está segura.

Minhas pernas seguem o compasso, e mesmo que em alguns momentos tremule, segue adiante.

E meus olhos...

Ah, meus olhos se contentam em contemplar o céu.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Verdade ou consequência

Há tempos que não sentia a alta tensão em meu ser.

Dias difíceis contribuem para perda de fome, perda de peso, perda de sono, mas levam-me ao encontro de uma totalidade, que por vezes, passa despercebida.

Identifico fatores que estavam distantes de meu raciocínio.

Percebo que os humanos ainda são cruéis; mesquinhos.

Lanço-me nos braços de quem sempre será meu socorro.

Repenso valores que podem ter se perdido.

Enfim, atitudes devem ser muito bem pensadas, pois quando quebra-se janelas, há sempre um custo.

O que fazer?

Respirar.

Abraçar.

Repensar.

E às vezes, chorar.

Embora que, nesse momento, o que posso fazer, é esperar que tudo passe de minhas veias.

Que minha mente absorva melhor do que o esforço do meu corpo em busca de ar.
E se alguém puder me fazer um favor, faça o seguinte: Me diz onde fica a saída.
Para que eu possa me purificar com ás águas que jorram lá fora. Afinal, a que encontra-se aqui, está podre.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Meu aconchego

Com o Caio rola uma química, um encontro, um aconchego, um querer estar próximo, entre seus braços que me acolhem em suas palavras.
E hoje bateu um querer ele aqui pertinho, sussurando em meus ouvidos...palavras nem sempre doces, mas de uma profundidade inigualável.

“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”




C.F.A.

O melhor de Woody Allen

MELINDA E MELINDA E MEUS VÁRIOS EUS

Melinda e Melinda é o meu filme predileto de Woody Allen, lançado em 2004, retrata a história de Melinda, contada por duas versões, onde o diretor trabalha a "dualidade do drama humano através das máscaras da tragédia e da comédia".
Apesar da trama nos levar a uma aproximação do teatro grego, articula de forma inteligente os dilemas contemporâneos da humanidade.
E foi exatamente esse paradoxo que me cativou, pois no desenrolar do filme, era impossível não me identificar com a personagem em ambas as histórias.
Mas afinal, qual gênero dramático tem mais relação com a vida real?
A comédia ou a tragédia?
Segundo Woody "a vida pode ser comédia ou tragédia, e tudo depende apenas do ponto de vista de quem observa".

MIDNIGHT IN PARIS

Domingo no final da tarde, fui assistir Meia noite em Paris. Me aconcheguei. Senti as cores. As músicas e a trama, em cada um de seus detalhes. Restando a minha fragilidade, sucumbir às lágrimas e aos risos. E sabe de uma coisa, ainda sinto que não sai de lá. Até me esforcei por rascunhar alguma coisa sobre o filme, mas aqui dentro está tudo tão confuso, tantos sentires, quereres...


Por hora, algumas certezas: Amo Paris. As músicas. Os cafés. A língua. E ainda irei fazer morada por lá. Para além, apenas o principal; a identificação com o personagem principal: Detesto pseudos e amo o passado.

quarta-feira, 6 de julho de 2011