
Nos encontramos em um momento aonde os adolescentes já saem do ensino médio com sua carreira pré determinada - sem generalizar. Dentro desse universo de projetos e conquistas, encontro-me entre sonhos, desejos e realidade, uma vez que não sou mais adolescente.
Ao realizar a soma, o resultado é insatisfação constante.
Há cerca de 5 anos atrás, abandonei a área social para conquistar independência financeira, pois havia descoberto ser necessário ter meu próprio lar, o que eu jamais havia planejado possuir. Nesse sentido, precisava firmar raízes por um tempo, refletir sobre aonde desejava chegar e, estabelecer metas. Pela primeira vez ficaria presa à pessoas e locais.
Contudo, no decorrer desses anos não alcancei tudo que eu desejava. E somente agora, encontro-me no melhor momento da minha carreira na área da saúde - o que também não planejei. Porém, estranhamente, jamais me senti tão frustrada, o que revela que reconhecimento e dinheiro não possuem tanta força quanto se imagina.
Refletindo acerca disso, lembro-me que comecei a trabalhar com carteira assinada aos 15 anos, logo após meus pais falirem. Há 3 anos habitando a capital mineira, nos encontramos em meio a dívidas e distantes da família.
Nesse tempo, com pouca verba, contribuia em casa e supria minhas necessidades básicas. O que me ajudou a construir um conhecimento sobre como administrar o dinheiro, auxiliando-me bastante ao sair da casa dos meus pais (aos 17 anos).
No entanto, meus sonhos sempre foram voltados às asas, com algo que não tivesse raízes; viajar, conhecer lugares, pessoas e culturas diferentes. Por se tratar de algo mais subjetivo, custei a definir uma meta quanto a faculdade. Exatamente por esse motivo, iniciei minha graduação somente quando avistei meu horizonte. Contudo, nem aqui consegui alcançar o que realmente quis, tendo que escolher uma opção próxima, visto que o curso desejado é diurno, e pra quem é independente financeiramente (ou dependente quando se refere a sua própria manutenção), não seria possível.
Frustração inicial a parte, constatei que poderia me graduar numa área próxima e buscar minha especialização por meio do mestrado na área em que realmente desejo atuar. Porém, os percalços são vários e enormes; a falta de tempo, o cansaço e a insatisfação com o curso de graduação fizeram com que eu quase desistisse. Tranquei a matrícula, decidi fazer matéria isolada e adiantar o projeto de mestrado - isso quase formando.
Atualmente, meu anseio é concluir o curso de graduação e entrar de cabeça no mestrado, mas algo é contínuo: a insatisfação em relação a graduação e ao trabalho. Ambos ficam martelando em minha mente diariamente. E por esse motivo, vivo numa montanha russa de sensações.
Nesse sentido, ontem, ao rever o filme O diabo veste Prada, sucumbi às lágrimas. Pois enxerguei-me na personagem Andy, que possui seus sonhos, mas estaciona-os por necessidade. Chegando ao limite de transformar-se para fazer parte do lugar.
Bem, ainda não sofri essa metanóia, mas havia planejado sair do trabalho e viver para a academia (pegar alguma monitoria, projetos de pesquisa e dar aula pelo estado) desde já, uma vez que meu projeto é trabalhar com pesquisa e lecionar.
Entretanto, mantenho-me no impasse, visto que me acustumei com uma qualidade de vida que não conseguirei no inicio. Qualidade esta que nem é tão boa, mas é a melhor que já tive.
Alguns amigos comentam que primeiramente preciso me estabilizar financeiramente, mas pergunto-me quando isso ocorrerá, e o pior, se ocorrerá.
Enfim, trabalho sem motivação.
Vivo o agora sonhando com o amanhã.
Sinto o mundo me chamando a desbravá-lo, mas fico presa no momento.
Ainda bem que não possuo nenhuma Miranda Priestly em minha vida.
Em compensação também não tenho um namorado que cozinha (risos).
Mas tenho minha alegria de ir pra casa: Srta. Woody Allen, a gata mais linda do universo chamado apartamento.
E enquanto não sou capaz de definir qual o próximo passo, retorno para o ronronar mais gosto que há.