
Na manhã de ontem, o site outraspalavras apresentou o artigo abaixo, que descreve o pedido de Aidoo à população de Gana, para que estes "dedurem" os homosexuais. Compreendo que, isso nada mais é, do que uma reprodução da discriminação, porém, em outro formato. Pois, se antes, num passado não muito distante, os negros eram discriminados pela cor (o que bem sabemos que ainda persiste em todo universo que refere-se a habitação de humanos), hoje, os homosexuais deverão ser encarcerados devido sua opção sexual.
Ainda não digeri essa informação, e, sinceramente, novamente sinto-me envergonhada em ser uma humana e também cristã.
Mas lembrou-me de uma discussão com um amigo que morou na África do Sul. Este, contou-me que obsevou que, apesar do fim do apartheid, há uma reprodução constante deste, pela própria população. Nesse sentido, compreendo que ações devem ser tomadas. Medidas que trabalhe a construção da cultura, pois a discrimação é algo que é reproduzido por anos, fazendo então, parte da cultura. Portanto, cabe a mudança na base.
E a dúvida ainda persiste...
Por Luís F. C. Nagao
Em novo sinal de como o conservadorismo moral atormenta a África, o ministro responsável pela região ocidental de Gana, Paul Evans Aidoo, pediu ao serviço de inteligência para rastrear e prender todos os gays e lésbicas.“Todos os esforços estão sendo feitos para livrar a sociedade destas pessoas”, afirmou o católico Aidoo, que também pediu aos proprietários de terra e imóveis para informar sobre pessoas suspeitas de serem homossexuais.
Aidoo parece usar como pretexto um artigo do Código Penal de Gana (de 1992), que condena “relações carnais não naturais”. Embora a Constituição garanta a não-discriminação por motivos de raça, local de origem, opinião política, religião, credo ou sexo, não menciona opção sexual.
A declaração ocorre no contexto de preparativos para as eleições, marcadas para fevereiro próximo de que no ano que vem haverá eleições no país. A Convenção Nacional do Povo (PNC), partido de Aidoo, está no poder. Tem havido eleições regulares desde 1992, quando uma nova Constituição pôs fim a 26 anos de golpes militares e instabilidade.
Ouro e domínio europeu: Localizada no Oeste da África (Golfo da Guiné), com 11,5 milhões de habitantes, Gana é parte de uma região que sofreu, desde o século 15, ocupações europeias. Aos portugueses, primeiros a chegar, sucederam-se holandeses. Rica em ouro, a região foi também explorada por ingleses, dinamarqueses e suecos. Em 1896, a Inglaterra assumiu seu controle, que manteve até a independência (1957). Um governo nacionalista, que contribuiu para a criação da União Africana, foi deposto em 1966, num golpe em que há suspeita de participação da CIA.
As jazidas importantes de ouro, ainda não esgotadas, e exportações de manganês, diamantes, chumbo e bauxita, fazem do país uma nação de renda média. Descobriu-se um grande campo de petróleo em 2007. A economia cresceu 14,33% em 2010 – o segundo maior índice do mundo. No entanto, há enorme desigualdade: 65% dos adultos são analfabetos e a expectativa de vida é de 60 anos.
Religiões africanas, que predominavam até a colonização, são ainda praticadas em certas regiões, mas o islamismo (15%) e cristianismo (69%) predominam. Assim como em outras partes da África, é desta última matriz religiosa que partem as pressões homofóbicas