
Ouvimos diariamente as seguintes afirmações:
- Beleza é relativa.
- Há gosto para tudo.
No entanto, os padrões de beleza estão postos à nossa frente por meio de todos os formatos de mídia. Sendo assim, constantemente, muitos de nós buscam se adequar a esse padrão. Porém, o alcance deste é caro e trabalhoso, e alcancá-lo pode custar a própria vida, como percebemos através de doenças como a anorexia e a bulimia.
Dentro disso, sabemos que esse assunto tem sido discutido por diversos especialistas, contudo, pode-se visualizar a necessidade de que essa discussão não se limite somente aos padrões estéticos, mas comportamentais. Adentrando nosso cotidiano e nossas relações sociais, nossa identidade individual e a forma como agimos diante da sociedade.
Para Aldous Huxley "A beleza é uma carta de recomendação quase impossível de ser ignorada; e com muito frequência atribuímos ao caráter a feiúra do rosto...não fazemos a menor tentativa de penetrar além da máscara opaca da face até as realidade existentes por trás dela, mas fugimos dos feios ao vê-los sem tentar sequer descobrir como são realmente".
O escritor ainda dirá que desde criança possuimos aversão ao feio, e que ao ver certo visitante cujas feições lhe pareçam desagradáveis a criança foge, porque o visitante "feio" é "'ruim", é um "homem mau". Quanto ao homem na idade adulta, não irá mais gritar ou sair correndo, mas raramente permitirá que os atos do "feio" próvem que seu rosto lhe contradiz seu caráter.
Na sociedade contemporanea - ou desde que há humanos -, há aqueles que fazem sua própria imagem e seu estilo, alguns tão autênticos, que tornam-se bizarros, "feios", estranhos, peculiares, ou como você, caro leitor, desejar chamá-los.
Bem, dentro desse universo de "feios e belos", eu não seria a melhor pessoa para "enquadrar" o que é "belo" ou "feio", pois como eu já comentei por aqui, os peculiares sempre me chamaram a atenção. Não pela possível feiúra, mas pela autenticidade. Porém, dentro de toda essa discussão, foi a fala de Huxley que me deixou refletindo. Afinal, temos como um dos desafios, ultrapassar as máscaras da feiúra, do estranhamento. O que, infelizmente, como demonstrado muito bem por ele, raramente conseguimos.
A feiúra e a pobreza ainda são capazes de trazer desigualdades, criar estigmas, paradigmas. Ou melhor, nós damos vida a esses, e permanecemos reproduzindo barreiras, padrões e conceitos negativos.
Enfim, o que pode ser "feio" para um, pode não ser para outro. Contudo, ultrapassar certos conceitos negativos é um desafio necessário à todos.
Viva a alteridade!