Atitude do Pensar

Atitude do Pensar

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Honestidade x "Jeitinho Brasileiro"

Honestidade, corrupção e "jeitinho brasileiro".
Em qual desses pontos nos encontramos enquanto indivíduo e sociedade?
Há pessoas 100% honestas?
Bem, particularmente, acredito que não.
Porém, para destrinchar mais acerca desse assunto, fui convidada à fazer uma refelxão aqui, juntamente de mais 3 colegas blogueiros.
Vambora?
Raramente, quando se fala acerca de corrupção, associa-se o “jeitinho brasileiro” individual ao “jeitinho brasileiro” coletivo. E nisso, percebemos que nossa visão de corrupção está fundamentada nos políticos, e não em nosso cotidiano onde perpassa nossas relações sociais.
No entanto, é sabido que o “jeitinho brasileiro” é reconhecido no âmbito nacional e até internacional, como a forma que os brasileiros têm para resolver seus problemas. Portanto, permeia todo o universo brasileiro, iniciando pelo individual e coletivo até tornar-se em parte nossa identidade nacional.
Enquanto indivíduo, posso afirmar que infelizmente não sou 100% honesta, mesmo apreciando a veracidade dos fatos e até mesmo da identidade pessoal. Inclusive, posso afirmar que em muitos momentos, ocorre de forma involuntária, contudo, me esforço para que não exceda a minha identidade, meus valores.
Como citado acima, esse estigma brasileiro denominado “jeitinho brasileiro” é reproduzido constantemente em nossa sociedade, e ao realizar uma análise mais intrínseca sobre esse fato, percebe-se que tal jeitinho, está alicerçado na falta de honestidade que a sociedade brasileira tem construído historicamente há séculos, por meio de vínculos com o coronelismo, paternalismo, ou simplesmente na troca de simples favores.
Estigma ou não, a reprodução histórica desse fato, pode nos impedir de legitimar direitos nacionais e universais, pode ainda, manter no poder, pessoas desqualificadas, e reproduzir corrupção nas coisas mais frívolas do dia-a-dia.
Iniciando em coisas que pensamos ser pequenas, como a não devolução do troco, a ocupação do lugar reservado para idosos e afins, a fila do banco ou supermercado que passamos na frente, até a compra do voto político, mantemos em constante evolução o que consideramos abominável: a corrupção.
O antropólogo Roberto da Mata afirma que há uma relativização dessa corrupção, pois parte da idéia que aceitamos determinados modelos de transgressões, mas não outros. Nesse sentido, Da Mata entende que, quando localiza-se na esfera individual a corrupção é aceitável, mas quando parte para o coletivo, a massa, é inaceitável.
Mas afinal, o que fazer?
Talvez iniciar uma reconstrução da ética individual e nacional. Entretanto, pode ser que seja necessária não a reconstrução, mas sim, a construção, visto que o “jeitinho brasileiro” nasceu na própria colonização de Portugal no Brasil e, portanto, está arraigada em nossa atmosfera.
Enquanto isso vale a pena uma reflexão individual de como estamos construindo o que mais criticamos enquanto indivíduo político, repensando assim, nossos atos frente às nossas relações sociais, buscando então, uma vida honesta, ou o mínimo corruptível possível.

[obrigada pelo convite, Emi]

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Logo ali

Logo ali, onde encontra-se amigos, inverno, tapioca, chorinho, abraços e alegrias.

[Foto tirada por Raulzito na Feirinha Tom Jobim]

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Um lugar para estar

Em abril eu questionei se amar é uma escolha.
Nessa semana, comentei com a Fer, que meu coração é quem manda, e mesmo sendo muito racional para certas coisas, ainda não sou capaz de controlá-lo - e nem quero.

Contudo, há certos momentos em que seria bem mais fácil estar com os príncipes e não com os ogros. Diante disso, mesmo sendo aversa aos príncipes, por estes soarem falsos - e outros motivos que não citarei agora -, a estabilidade e o equilibrio que estes geram pode ser bem vinda (tá, mas quem me conhece sabe que o equilibrio não é tão apreciado por mim, desde que entendi que este é morno e, portanto, fica a ponto de vômito).

Enfim, minhas manias e vícios não permitem que eu seja capaz de amar alguém somente por admirá-lo. Meus valores e identidade, são maiores do que meu desejo de ser par.

No entanto, as vezes, também é muito bom saber que não abro mão do meu eu por nenhum meio metro de expectativas (né, Paulinha?).

Nesse sentido, se amar - nesse caso -, não é uma escolha, resta-me admirar a paisagem e aguardar pelo encontro.

Enquanto isso, curto a viagem, o sol que adentra a janela, as montanhas que alargam minha visão, os campos de girassóis que gera sorriso em meus lábios, o céu azul que nem lembra-me que é inverno. Absorvo o todo, inclusive os ipês dessa estação. Quando necessário, vez ou outra, troco de vagões.

------------------------------------------------

Comemoração de aniversário durante 4 dias (sim, eu posso fazer isso).

Ontem, amigos das antigas, vozes de rostos distantes e que me acompanham desde muito tempo, declarações de bem querer, saudades, taças e vinhos (obrigada, Devah), nhoque, música.

Sinceramente, minha lembrança de um dia de aniversário como esse, remete-se há uns 5 anos atrás. Após isso, eu já não gostava mais de comemorar. Porém, as coisas mudam, e essa mudança veio lá de longe, ao conhecer uma certa Borboleta.

------------------------------------------------

Hoje na construção, aprendendo "onde parar e quando descer".

Contudo, ainda no ontem, que trouxe-me balzaque na idade, mas também um lugar para estar, mesmo sendo necessário limpá-lo.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Aniversário da menina dos balões

Hoje ela deseja apenas suspiros e afagos.
Abraços demorados e sorrisos largos.
A companhia de amigos e gargalhadas ao fundo.
Uma taça de vinho e uma massa.
Chico e Bethânia.
Paz e milk shake de nuttela.
Música e balões.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

As 4 estações

Há certos instantes em que tenho a sensação de presenciar todas as estações no decorrer de um dia... São dias como hoje, escutando as 4 estações de Legião Urbana...

07:00 da manhã de uma simples segunda-feira, o calendário informa que estamos no inverno. Porém, o ontem cantava acerca das flores e do reinado do sol. Mas o dia de hoje possui cor de saudade, e o frio que corta minha pele traz um rosto ainda desconhecido, uma voz que encontra-se distante e um abraço desejado. Será apenas um mero sonho de inverno?
Não sei, mas há tempos anseio por encontrar refrigério e proteção no poço de água limpa que habita em teu colo. Contudo, é sonho. E nas noites desse inverno durmo embalada ao som que vem lá de fora, que contrasta com essa quimera; maior do que o tamanho do meu peito. Vou dormir, é só o vento lá fora aquietando-me aqui dentro...

12:00 desta segunda-feira, entre mordidas e mastigadas observo o céu, explique-me: Por que ele está tão azul? São nuances de mistérios que alteram meus sentidos, comandando nosso duplo renascer. Discretamente, percebo que o sol bate à janela do teu quarto, revelando flores e sons. Tudo novo. Uma primavera em festa. Sei que ainda tudo é dor, entretanto, este é o tempo de recomeçar, colher flores das sementes que plantamos... Qual foi a semente que você plantou? Arco-íris? Sorvete? Algodão doce? Bolhas de sabão? Não? Ah, sim, balões... Então vamos segui-los até as nuvens, para contemplar o campo de girassóis sonhados nessa estação...

Vejo o sol iniciar sua despedida às 17:00 desta segunda-feira. Volta aqui. Num dia de verão. Não tenha medo, não quero transformar esperança em maldição. Muito menos estupidez em recompensa. Saiba, que estou do lado do bem. Estou do seu lado. Hoje, o sol brilhou e sorriu para nós. Chove lá fora... A melodia que nasce convida-nos a bailar sob as águas de refrigério. Nossa pele ressecada padece de restauração, e esse é o momento da verdade. Vem conhecê-la. Vem me amar. Estou acordado. Sem você nada seria...

A lua no céu lembra-me da minha solidão, já são 23:00, e esse dia encerra-se. Você não está aqui. E eu, confesso que, as vezes quero ir, mas também quero ficar. As folhas secas lá fora chamam-me a caminhar. No entanto, refugio-me em mim. Deixo-me nessa estação, sem fechar as portas e janelas. Porém, não sei onde estou, vai ver que é assim mesmo, e vai ser assim para sempre. Você me deixou sentindo tanto frio nesse outono, estava acostumada a sua voz, com teu rosto e teu olhar, e quando não estás aqui sinto medo de mim mesmo, meu espírito voa longe, vai com a paisagem. E o mundo passa a ser seu...
Mas meu amor passou...


[Esse foi o meu diário de sensações destas estações, ambas inspiradas nas harmonias e melodias do CD As quatro estações da banda Legião Urbana, com a presença das letras e sentires de lá]

Que tal sentir a inspiração nascida de 4 mulheres. Suas emoções. Quereres. Olhares...

Vambora?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Minha caixa de pandora

Risos, lágrimas, odores, sensações, dores, amores, sons, perdas, desamores, imagens. Tudo dentro da mesma caixa: A minha caixa de pandora - memória. Pode parecer loucura, mas são raras as ocasiões em que desejo o esquecimento, o não sentir. Nesse sentido, pela estrada de tijolos amarelos, sigo com minha caixa, que as vezes chamo de baú, gaveta... Lá, encontram-se fotografias do que passou, mas que de certa forma está alojado em minha pele, em meus olhos, em minha alma, e em tudo que eu represento. Bem, venho refletido sobre isso há algum tempo; a memória enquanto pertencimento e identidade. Em 2004, ao assistir Eternal Sunshine of the Spotless Mind - um dos meus filmes prediletos -, percebi mais claramente esse desejo - ou quem sabe necessidade -, de fulga. E sinceramente, não acredito que a intenção seja o esquecimento, mas o distanciamento da dor. No entanto, não sei se ao deletar alguém, ou uma determinada situação essa dor venha ser amenizada, pois as memórias possuem o poder de desenhar nossos contornos e somos uma tela frente a esse espetáculo. Outro filme que fala sobre esse assunto, mas como fato verídito é Iris, que narra os últimos momentos da relação entre a escritora Iris Murdoch e seu marido. Nesse caso, a escritora começa a sentir as primeiras manifestações de alzheimer. Ver seu sofrimento com a perda de memória, causou-me uma dor que é constantemente revivida desde 2001, além do nascimento de um medo dentro de mim: O de me perder. Eu poderia relatar outros filmes que abordam esse tema, mas atualmente meus olhos e sentidos estão pairando sobre o livro Leite Derramado de Chico Buarque, estou a 10 linhas de finalizá-lo, e durante toda a leitura encontro-me novamente refletindo sobre a memória. O livro é um apanhado histórico delicioso sobre o Brasil dos últimos dois séculos, e narra a história de uma família que viveu o auge econômico, mas enfrenta uma decadência social e econômica. Quem relata essa história, é o personagem principal, um homem idoso (por volta de 100 anos) que está no leito de um hospital. Em suas narativas percebemos falhas de lembranças, confusões, criando dúvidas nos fatos narrados. Dentro disso, também percebe-se a fulga de algumas verdades que o personagem não quer enfrentar. E repetidamente, a memória falando-me sobre sua importância e força, na tela chamada humanidade. Enfim, em meu cotidiano já enfrento as lacunas que nascem do tempo e da falta de vitaminas. Porém, não desejo que apaguem minhas lembranças dolorosas e a transformem em uma mente nova e tranquila. Prefiro antes, observar, absorver e reviver as fotografias que estão dentro da minha caixa de pandora. Mesmo que as ignore vez ou outra, ainda as escolho sempre presente, vivas, lúcidas, revelando-me quem eu sou, onde estou e para aonde vou.
[que as estrelas, a lua, o sol e as estações não passem, mas fiquem gravadas em tudo o que sou]

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Desassossego

Estou com dificuldades em construir pontes entre o meu sentir e o meu dizer. Submersa ao desassossego teimo em sentir..."Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto." Os dias correm, mas não os acompanho. Lá fora, o céu está de um azul que leva-me a maio, e os ipês falam-me acerca de alegrias ainda não desfrutadas, desenhando risos, lágrimas e olhares. Reflito em palavras de desapego e permito que o som das almas cure a minha dor...mas ela teima em ficar agarrada às superfícies ásperas do meu ser. Fico a observar aqueles que nasceram para a alegria; seus risos encantam-me, mas o que fazer, se parte da minha felicidade está na forma de apreciar a beleza da tristeza... “Mas eu fico triste como um por de sol quando esfria no fundo da planície e se sente a noite entrada como uma borboleta pela janela”. Borboletas revelam-me essa construção contínua chamada vida. E essa mulher de várias manifestações e sentires... e quereres em forma de risos... e leituras de um abismo mais profundo do que qualquer vazio, permeado de cores e sons.