Atitude do Pensar

Atitude do Pensar

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A raiva


O que devemos supor ao ver uma pessoa com fone de ouvido?
Nesse momento eu não desejo ser incomodada!!!!
Bem, é isso que eu penso.
Por não querer que jamais me incomodem, permaneço com fone de ouvido durante grande parte do meu dia, principalmente quando preciso utilizar transporte público.
No entanto, infelizmente nem todos são dotados dessa sensibilidade e uma vez ou outra acabam por me dar o desprazer de sua conversa.
Quando isso ocorre, tento cortar a conversa, mas mesmo assim, alguns insistem e ai fico sem reação.
Acho estranho essas tentativas de conversa, pois na maioria das vezes as pessoas não costumam sentar perto de mim devido ao visual diferente, mas já acostumei com isso e tiro muito proveito. Contudo, como tem os engraçadinhos (na maioria das vezes é o sexo masculino que força a barra de iniciar e ainda por cima desenvolver uma conversa) corajosos padeço desse mal.
Então, sem mais rodeio vejam o que ocorreu:
Primeiro, pela manhã procuraram saber se gosto de moto, de rock e em quais locais vou nos momentos de folga (vontade de dizer: ao cemitério, quer ir?)kkkk
Ao ir para a faculdade, outro corajoso fez uma entrevista comigo: Meu nome, cidade, estudo, música, filme...
Aff!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Quase esganei.
O ônibus vazio e o idiota sentou do meu lado.
Eu ouvindo música e ele puxando conversa.
Pensei até que ele ia perguntar se eu usava calcinha.
Já não aguentava mais...
A última foi: Você gosta de tatuagem???
Como assim? O cara enxergando que meu colo é todo tatuado e me pergunta isso.
Perguntas já me irritam, mas perguntas idiotas merecem respostas cretinas.
Então respondi: Não.
E mesmo assim o cara não se tocou.
O pior é se eu encontrar ele novamente e ele vier puxar assunto.
A opção é: Quando precisar pegar o mesmo ônibus vou sentar ao lado de alguém e fechar os olhos.
Mas não acabou, minha amiga foi viajar e a levamos à rodoviária, na volta um estranho pára na nossa frente e fica olhando para mim.
Perto de chegar em casa outro puxa papo.
É, como disse minha amiga: Não é a minha lua!!!rsrs
Pena que não posso simplesmente ficar dentro de casa e me esconder desses seres desagradáveis.
Devem ficar o dia inteiro sem conversar com ninguém e vem descontar sua carência em mim.
Da próxima vez vou apresentar meu amigo imaginário!

Olhos nos olhos


Em menos de uma semana vi o ex duas vezes e falei com ele pessoalmente e por telefone.
Não fiquei triste, mas também não pude deixar de refletir, afinal, tem um coração batendo aqui dentro.
No primeiro encontro como já comentei, fomos praticamente indiferente, já no segundo, via telefone, ele foi o indiferente e olha que foi ele quem ligou.
Em seguida, ao passar pela rua dei de cara com ele.
Coube a mim ouvir muito Chico, Maria Bethania e Gal Costa o dia inteiro para lavar a alma...
Além de ter sido o namoro mais duradouro, este romance representa uma das duas divisões da minha vida.
E apesar de tantas idas e vindas, bons momentos ficaram marcados em minha memória.
Recordo-me de um desses términos onde tudo o que eu queria era não sentir a dor intensa em meu coração. A dor de estar longe era muito maior do que a dor de não poder ser quem sou (um dos nossos maiores conflitos).
Nesses términos, eu não possuia forças para viver ou querer viver, e portanto a vida e tudo que a representa não tinha sentido.
No entanto, após o penúltimo momento distante as coisas mudaram. Estava inundada de saudades por mim, isto era demasiadamente grande e sendo assim pude finalmente experimentar viver uma vida só e gostei.
Desde então as coisas mudaram e mesmo com o retorno não fui mais a mesma, ficando cada vez mais distante, cabendo a nós, somente nos afastar de vez.
Mas diante de tudo isso o coração registra e em certos momentos chama pelo seu nome.
Em outros momentos, quase sempre...
Sinto-me repleta de alegria por ter tido a coragem de viver além do que havia.
A música abaixo expressa um pouco disso:


Quando você me deixou, meu bem,
Me disse pra ser feliz e passar bem.
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci,
Mas depois, como era de costume, obedeci.

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando,
Me pego cantando, sem mais, nem por quê.
Tantas águas rolaram,
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você.

Quando talvez precisar de mim,
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você diz.
Quero ver como suporta me ver tão feliz.

Olhos Nos Olhos
Composição: Chico Buarque
(gosto especialmente na voz da Maria Bethania)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Quase



Literatura é uma das minhas maiores paixões, juntamente da música e do cinema. Infelizmente, por viver correndo contra o tempo acabo por não me dedicar o quando realmente gostaria.
Lembro-me que na adolescência passava os intervalos na biblioteca, que saudades daquele tempo...
Hoje, me esforço para ler ao menos um livro por mês, além dos textos academicos, mas nem sempre é possível.
Apesar disso, recentemente tenho descoberto (no sentido de não apenas conhecer de ouvir falar, mas adentrar em seu mundo) autores que tem me encantado.
Abaixo uma reflexão de um deles:
Quase...

Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo,
quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

[Luíz Fernando Veríssimo]

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O diverso


Tenho fixação pelo peculiar.
Esse é um traço que me acompanha a tempos...
O diverso me salta a vista.
E sucessivamente as pessoas que mais admiro são aquelas intensamente esdrúxulas.
Como disse anteriormente, pessoas boazinhas demais me cansam facilmente, mas como já fui uma pessoa doce, tenra, paciente e amável tento suportar, porém, desde que não me torrem o saco.
Culturas diferentes...
Pessoas estranhas...
Nossa, acho incrível!!!!
Lembro-me de quando tudo começou, foi há uns 8 anos quando conheci a galera da Caverna, nunca tinha visto tanta gente esquisita, mas me senti tão a vontade que nunca mais me afastei de alguns.
Nem quando saí da casa dos meus pais aos 18 anos havia me sentido assim.
Em seguida, namorei um dos meninos que fazia parte da Caverna, claro que era um dos mais bizarros. Inclusive, esse é o tal ex que tornou-se meu melhor amigo. Quem o vê hoje nem acredita em quem ele já foi visualmente.
Como diz ele: "Atualmente sou mais clean", no entanto, suas loucuras permanecem, juntamente da nossa amizade.
Após isso, tive o prazer de conhecer uma amiga de um outro namorado: Foi aí que todas as nóias como "quem eu sou", "de onde vim", "sou anormal" puderam finalmente se aquietaram.
Ela é minha irmã siamesa!
Nela pude me enxergar e ver que não sou tão monstro quanto pensava.
A Cris é a pessoa mais doce e louca que conheço. E linda também!
Ela é aquele tipo de garota que com certeza me interessaria caso eu gostasse disso.
A partir de então minha vida tem sido permeada pelo diverso.
Namorados esquisitos então não me faltaram:
De cabelo colorido a topete, carecas não faltaram...
De coturno, suspensório, jaqueta de couro...
Marxista, anarquista...
Até de pusseira de oncinha.
Fora isso: Só restou de dread que ainda não rolou.
Até meu gato é peculiar: nasceu a cara do Wood Allen, por isso ganhou esse nome.
Em casa, além do Wood somos três meninas que possuimos o temperamento super parecido: melancólicas, ansiosas, hipocondriacas, confusas e que surtam direto.
Mas enfim, é bom que não fico apenas nos estudos antropológicos e sociológicos, mas vivo o diverso!
E deixa de ser uma luta individual para ser coletiva, ou vice verso.
Afinal, quem é que tem direito a ser diferente no contexto em que vivemos, já que nem a CF88 garante esse direito?!
Ah, mas isso fica para depois...

Bom fim de semana prolongado!!!

Não sei quantas alma tenho


Se possível gostaria de fugir do meu corpo e desse tempo.
Ascender a existência...
E livrar-me das memórias.
Lembrando-me apenas das borboletas que outrora foram lagartas.
Estou cansada de Nietsche, Wood Allen e também da Sertralina.
O sonho fugaz já não me atrai como antes.
Pois até nele a alma geme, mas não chora.
E não sei se vou ao norte, ao sul, ou se não vou.
Sinto-me como o pequeno principe que possui apenas uma rosa (no meu caso um gato) e anseia por ir além.
No entanto, paro e não dou nem ao menos um passo.

"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha paisagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas meu ser.

O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Relei e digo: "fui eu?"
Deus sabe, porque o escreveu."

[Fernando Pessoa]















segunda-feira, 8 de novembro de 2010

"silenciosas metamorfoses"



Após um longo período de namoro, resolvi tirar uma folga de relacionamentos mais duradouros. Não que eu seja do tipo que vai cair na pegação, antes o contrário, estou fugindo dos homens.
Quero apenas experimentar a vida solitária novamente...ir nos lugares que eu quero, o horário que eu quero, com quem eu quero e ficar em casa o tempo que eu quero...
Por falar nisso, sábado encontrei o ex-namorado, fui a comemoração do aniversário de um amigo em comum e lá estava ele, pareciamos dois estranhos que nem ao menos trocavam olhares ou palavras.
Em alguns casos mantenho a amizade, inclusive meu melhor amigo é um ex, no entanto, nesse a amizade não existia e portanto não possuímos essa ligação.
Como há muito tempo não tinha esse momento único, impar: ser de mim mesma. Confesso que pelo o que estou percebendo não abrirei mão tão cedo.
Inclusive, tenho conhecido alguns caras quase interessantes, mas estou com uma preguiça fora do comum e tenho que me policiar para não ser mais chata do que o normal.
É tão estranho, eles não entendem quando você fala que não está aberta à relacionamentos, e insistem em tentar ir além daquilo que você quer.
Será que eles acham que estou depressiva por estar sozinha?
Tento não dar a desculpa da falta do tempo e sou direta, falo na lata que este momento é meu e de mais ninguém.
Por que tenho que sempre dividir tudo que sou com todos????
Espero que ninguém saia machucado, pois a liberdade muitas vezes é mal interpretada e na maioria dos casos os homens acham que estamos fazendo charme.
Outra coisa, costumo me reclusar em alguns instantes e ontem foi um desses dias, na tentativa de fugir do mundo me afasto mais ainda de tudo, porém aqueles que não nos conhece estranha esse tipo de atitude, e nem poderia culpá-los, a grande maioria preferi uma boa festa, ou um boteco a ter de ficar em casa na inércia.
Um desses caras chegou a pensar que não queria falar com ele. É claro que não queria...
Com ele e com mais ninguém!!!!!
Talvez eu nem esteja sozinha, pois estou comigo.
Ou quem sabe a solidão também possua beleza e alegria.
Será que estas pessoas já pararam para pensar nisso?!!!!


"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses"

Ruben Alves

domingo, 7 de novembro de 2010

O eterno vazio

Temas que abordem o consumismo sempre me interessaram, por isso gosto tanto de Bauman, autor que trabalha as relações liquidas.
Hoje, para mudar um pouco utilizarei uma letra de música que expressa exatamente essa liquidez:

Comprei uma bolsa de grife, mas ouçam que cara de pau.

Ela disse que ia me dar amor, acreditei, que horror.
Ela disse que ia me curar a gripe, desconfiei, mas comprei.
Comprei a bolsa cara pra me curar do mal
Ela disse que me curava o fogo, achei que era normal
Ela disse que gritava e pedia socorro, achei natural

Ainda tenho angústia, sede.
A solidão, a gripe e a dor.
E a sensação de muita tolice nas prestações que eu pago pela tal bolsa de grife.

Nem pensei, um impulso pra sanar um momento.
Silenciar, barulho. Me esqueci de respirar.
Um, dois, três
Eu paro.
Hoje sei
Que nem tudo será
Escrevi meu colar,
Dentro há o que procuro

Ainda tenho angústia, sede.
A solidão, a gripe e a dor.
E a sensação de muita tolice nas prestações que eu pago pela tal bolsa de grife.