Atitude do Pensar
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
É tão bom
É tão bom te ver entre girassóis e estrelas.
Deixar o coração bater sem medo.
[Entre reformas na casa e falta de tempo, consegui dar uma escapada e sexta foi dia de prestigiar Lô Borges no SESC Paladium. Grande show, boa companhia. Domingo foi dia de Ópera, os dramas italianos, chocolate quente e a Lê]
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Paradoxo de um coração
Na esquina te encontrei, entre copos e buracos à sinuca de duas vidas. Pensei ser tarde, pensei estar resolvida, porém, a lua falou-me palavras de amor, e o tempo pregou-me peças que ainda não completaram o quebra cabeça. Era noite, o menino bonito de olhos de ressaca contava-me do velho. Enquanto ouvia-o sentia o odor agradável do novo. Paradoxo de um coração. Um abraço. A estrada. A estação. Meu sangue pulsando, minha mente distante, num longe quase conhecido. Numa saudade constante. Num querer outros olhos, outros sorrisos, o novo. Sim, é outubro. Sim, é primavera. Sim, é temporada das flores. No entanto, também das chuvas e de um inverno contínuo alojado em minha alma. Perguntas batem à porta e o que me resta é procurar por respostas. Contudo, as gavetas estão repletas de outras histórias, outras fotografias. São meros borrões. É o novo, mas ainda o velho... paradoxo de um coração...[o tempo ainda é curto, a estação é percebida de longe e vez ou outra eles falam comigo: a, b, c]
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Ela, entre lagartas e borboletas
Meus passos tem sido trôpegos. Lentamente o relógio canta tic tac. Seu ritmo é lento, uma harmonia bela, triste e sufocante. Paulatinamente dou passos em busca de uma paz que não é visível. Desisti de falsas esperanças de primavera. Necessariamente, vivo submersa em invernos gélidos. Não estou presente, porém, também não ausente. Ouvir é necessário. Refletir. O medo bate à porta e espreita-se entre espinhos alojados em minha alma. Há luz. Esta, encontra-se fraca, mas ainda é capaz de anunciar vida e consolar-me com seu calor. Os abraços e sorrisos daqueles a quem amo expressam o refúgio encontrado pelo meu ser. Confiar é preciso. O momento pede tempo ao próprio tempo. À escrita e às visitas. O voltar ainda não é certo, mas afinal, sempre estarei somente de passagem. A metanónia expande-se, e eis que uma nova borboleta surgirá. Ela menina. Ela, em busca de novos balões.[quando for primavera eu retorno, enquanto isso, fica a saudade de todos]
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Ainda é inverno
"Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambigüidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos."Lya Luft
Sei que sou invernos e outonos e, que ainda não aprendi a ser primavera. Contudo, algo me diz que os mesmos olhos que aprenderam a alcançar os ipês do inverno, será capaz de se transformar em primavera.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
A morte da esperança
Se for, estou a um passo da morte, habitando comas da alma.
"Fiquei. Você sabe que eu fiquei. E que ficaria até o fim, até o fundo. Que aceitei a queda, que aceitei a morte. Que nessa aceitação, caí. Que nessa queda, morri. Tenho me carregado tão perdido e pesado pelos dias afora. E ninguém vê que estou morto."
Caio Fernando Abreu
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Máscaras da feiúra
Ouvimos diariamente as seguintes afirmações:- Beleza é relativa.
- Há gosto para tudo.
No entanto, os padrões de beleza estão postos à nossa frente por meio de todos os formatos de mídia. Sendo assim, constantemente, muitos de nós buscam se adequar a esse padrão. Porém, o alcance deste é caro e trabalhoso, e alcancá-lo pode custar a própria vida, como percebemos através de doenças como a anorexia e a bulimia.
Dentro disso, sabemos que esse assunto tem sido discutido por diversos especialistas, contudo, pode-se visualizar a necessidade de que essa discussão não se limite somente aos padrões estéticos, mas comportamentais. Adentrando nosso cotidiano e nossas relações sociais, nossa identidade individual e a forma como agimos diante da sociedade.
Para Aldous Huxley "A beleza é uma carta de recomendação quase impossível de ser ignorada; e com muito frequência atribuímos ao caráter a feiúra do rosto...não fazemos a menor tentativa de penetrar além da máscara opaca da face até as realidade existentes por trás dela, mas fugimos dos feios ao vê-los sem tentar sequer descobrir como são realmente".
O escritor ainda dirá que desde criança possuimos aversão ao feio, e que ao ver certo visitante cujas feições lhe pareçam desagradáveis a criança foge, porque o visitante "feio" é "'ruim", é um "homem mau". Quanto ao homem na idade adulta, não irá mais gritar ou sair correndo, mas raramente permitirá que os atos do "feio" próvem que seu rosto lhe contradiz seu caráter.
Na sociedade contemporanea - ou desde que há humanos -, há aqueles que fazem sua própria imagem e seu estilo, alguns tão autênticos, que tornam-se bizarros, "feios", estranhos, peculiares, ou como você, caro leitor, desejar chamá-los.Bem, dentro desse universo de "feios e belos", eu não seria a melhor pessoa para "enquadrar" o que é "belo" ou "feio", pois como eu já comentei por aqui, os peculiares sempre me chamaram a atenção. Não pela possível feiúra, mas pela autenticidade. Porém, dentro de toda essa discussão, foi a fala de Huxley que me deixou refletindo. Afinal, temos como um dos desafios, ultrapassar as máscaras da feiúra, do estranhamento. O que, infelizmente, como demonstrado muito bem por ele, raramente conseguimos.
A feiúra e a pobreza ainda são capazes de trazer desigualdades, criar estigmas, paradigmas. Ou melhor, nós damos vida a esses, e permanecemos reproduzindo barreiras, padrões e conceitos negativos.
Enfim, o que pode ser "feio" para um, pode não ser para outro. Contudo, ultrapassar certos conceitos negativos é um desafio necessário à todos.
Viva a alteridade!
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Beira-Mar
Eu sei que é apenas o início de uma semana e, sinceramente, uma segunda-feira não costuma me assustar. Paulatinamente, me empenhei em ir além do tempo gasto no trabalho, dar algumas voltas pela praça, e quem sabe, lá, encontrar alguma paz brotando dos jardins da "Liberdade". Mas era um querer pesado. Afinal, meu corpo ainda encontrava-se na desesperança do ontem. Enfim, aceitei o abrigo de casa, o ronronar de uma gata e a companhia de duas loiras (cervejas). Tê-las em plena segunda-feira é raridade e, portanto, entre leveza e sorrisos fui dormir, entendendo que é necessário respeitar o tempo, e, acima de tudo, o meu tempo, meu espaço, meus pedaços. O dia amanheceu, acordei reconhecendo nuances de primavera, o sorriso do céu anunciava uma nova estação. Ainda não sou capaz de enxergar as flores, a liberdade. Mas amanhã...ah, amanhã será outro dia...e hoje, quero apenas o mar."Olhe, por dentro das águas há quadros e sonhos. E coisas que sonham o mundo dos vivos."
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