Ontem o céu sorriu para mim.Acompanhou-me da saída do serviço à casa.
Pelo percurso da noite, balbuciava palavras encantas que emanavam paz.
E ao chegar em casa, acolheu-me em seus longos e ternos braços.
Hoje, ao acordar, ele ainda estava lá, e suas palavras chegavam aos meus ouvidos como a mais bela das sinfonias.
Falou-me sobre o tempo, as perdas, o recomeço.
Em seu refúgio, pude sentir-me protegida.
A cada oportunidade espreito a janela para ainda contemplá-lo.
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Não recordo-me de um inverno com nuances tão belas.
Onde o céu revela-se sem cores de tristeza.
O mais engraçado, é que sempre gostei de inverno, da melancolia que está sempre presente, das cores frias, do chocolate quente contrastando, das boinas e casacos, dos caldos e amigos partilhando destes, dos vinhos e massas cada vez mais presentes e desejosos.
Mas o fato, é que nos dois últimos invernos os dias foram dolorosos. Tristes. Vazios. Repletos de rompimentos. Idas e vindas.
E nesse momento estou aqui dentro. Não diria que completa, mas lúcida.
Minha alma está segura.
Minhas pernas seguem o compasso, e mesmo que em alguns momentos tremule, segue adiante.
E meus olhos...
Ah, meus olhos se contentam em contemplar o céu.






