Atitude do Pensar

Atitude do Pensar

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Devaneios de quase férias

Quanto mais rápido é o ritmo, pior poderá ser o estrago. Seguindo essa lógica, meu coração empenha-se em afastar-se de expectativas. No entanto, são essas mesmas expectativas que nos impulsionam a viver, são elas que nos locomovem em todas as esferas do que denominamos vida.
Dentro disso, dezembro chega trazendo a tona reflexões - uma das funções exercida pela atmosfera de final de ano, que apresenta a hipocrisia humana em sua melhor estampa, onde todos tornam-se bons e generosos e, após as festas, tudo volta ao seu padrão. Contudo, se eu fosse fazer uma reflexão acerca desse ano que findará em breve, as decepções com a humanidade poderia ser o tema de 2011, visto que as decepções em meu círculo profissional invadiu-me mensalmente. E meu pobre coração, que enganava-se, acreditando não possuir expectativa, seguiu cambaleando, caminhando aos trancos e barrancos. Entretanto, ele ainda arrasta-se entre espinhos e feridas que sangram de forma latente, até porque, infelizmente, o ano ainda insiste em permanecer e, portanto, decepões continuam adentrando. Porém, meu coração é forte. Gosta de música e ponto final. Sendo assim, permite deixar-se levar pelo ritmo. E as expectativas? Ah, elas que se virem sozinha. Pois após tantas decepções, quero ir além do que apenas sobreviver. Quero sol (isso mesmo, eu que adoro outonos, nesse exato momento anseio pela luz e calor do sol para me aquecer). Mar (e sua força renovadora). Abraços dos de longe (que sempre trazem alegrias inefáveis). Uma gata como companhia (porque o ronronar dela é um santo remédio). Taças (mesmo que ocorra somente em 2012). Música (questão de necessidade básica) e boa companhia (porque estar só é bom, mas estar junto tem sido melhor).

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A complexa tendência a maldade

Ser humano. Catástrofes. Forças midiáticas. Espécie. Atrocidades. Covardia. Tirania. Conterrâneos. Ditadura. Desigualdade. Sanguessuga. Família. Sanguinário. Euforia. Oprimidos. Sociedade. Coletivo. Apartheid. Bomba atômica. Humilhação. Extermínio. Nazismo. Fragilidade. Vulnerabilidade. Préconceito. Assassinato. Imposição. Animais. Irracionais. Humano. Soberania. Estimação. Infância. Pedofilia. Mulher. Violência. Espaço. Individualismo. Racional? Descartável?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A gente somos inúteis

Com os filósofos gregos, descobrimos que as indagações e a busca por respostas fazem parte do contexto humano, isto é, compreendemos que é um dos traços mais marcantes da natureza humana.

De onde eu vim, para aonde eu vou?

Qual é o meu papel na sociedade?

Perguntas como essas sempre estiveram presentes em nosso cotidiano.

Filosofia de buteco ou não, permeia nosso espaço social e individual.

Dentro desse universo, pode-se perceber que a humanidade busca um sentido de utilidade prática, que poderá ser impulsionada por seus desejos, sonhos e objetivos de vida.

A religião é outro mecanismo que trabalha a utilidade, observamos isso nitidamente no cristianismo e espiritismo.

Sendo assim, somos bombardeados internamente e externamente pela velha pergunta que teima em buscar espaço em nosso ser: Afinal, pra que estou aqui nesse universo repleto de tantos outros humanos e possivelmente de outros seres também?

Faço parte de um corpo orgânico, onde habita vários outros seres, de um fluxo que torna necessária a relação social.

Nasci, me alimento, durmo, produzo, reproduzo, acordo, vivo, procrio, morro. Mas, afinal, de onde eu vim? Pra aonde eu vou? Meu papel está em quem sou? No que faço? Nas marcas que deixo?

Qual a necessidade prática da minha existência?

Nesse sentido, é válido refletir no quanto isso influência em nossa vida, ou seja, até que ponto somos conduzidos por essas questões e qual o poderio que elas exercem sobre nós?

Será realmente necessário possuir resposta para todas as dúvidas?

Não defendo a alienação, antes o contrário, mas admito que acredito que há coisas nesse universo que são inescrutáveis. E há momentos em que vivemos mais em busca de respostas do que em abosrver e apreender o que está diante de nossos olhos.

E atualmente, preocupo-me - de forma consciente - apenas em simplesmente viver, absorvendo as gotas homeopáticas de alegrias.

Repleta de sonhos e ideais?

Sim.

Porém, vivendo o que possuo nesse instante. Pois no momento, possuo somente o agora. E dele, quero levar apenas sorrisos daqueles a quem amo.

E se alguém me chamar de inútil, terei o maior prazer em responder-lhe: A gente somos inúteis.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

El piel que habito - Velhas questões que permeiam nossa humanidade

Desde que assisti ao filme Edukators no inicio desse ano, eu não havia tido o prazer de assistir nenhum outro filme que o superasse e, portanto, encontrava-me em pleno anseio por dois lançamentos que iriam ocorrer: Melancholia de Lars Von Trier e El piel que habito de Pedro Almodóvar.
Acerca de Melancholia calarei-me, pois até a presente data não foi possível degustá-lo, mas quanto a nova produção de Almodóvar pretendo rascunhar algumas palavras nas linhas que se seguem.

Almodóvar é conhecido por trabalhar questões delicadas e polêmicas em seus filmes, apresentando constantemente mulheres fortes, personagens emblemáticos e complexos. Além de possuir cores que o representam por meio do vermelho, roxo e verde.

No entanto, dessa vez, o diretor resgata um personagem masculino e o que permeia sua vida. Contudo, de certa forma, acredito que ao entrar no cinema, muitos ainda esperam que em algum momento - mesmo que sutilmente -, se depare com o perfil de mulher retratado pelo diretor. E isso ocorrerá, porém, repleto de outros atrativos.

O filme contém todas as temáticas discutidas ao longo dos filmes já produzidos por Pedro e revela personagens paradoxalmente fortes e frágeis, o que não é nenhum ponto diferencial do que o diretor traz ao longo de sua carreira, como produtor e diretor.

Porém, através de um enredo de tirar o fôlego, Almodóvar aparece mais maduro, e a trama nos envolve em cada segundo. Não há somente um grande personagem, mas seis personagens que contribuem para que a história contada vá criando uma atmosfera que pondere a diversidade humana, bem como o encontro de nossas mazelas e o que surge delas.

La piel que habito, em minha humilde opinião, é a melhor obra do autor assistida por minha pessoa. Narra um conjunto de histórias que se entrelaçam a partir de perdas, omissões e vulnerabilidades.

Almodóvar nos mostra que são nos traumas que encontram-se as maiores mazelas da humanidade. Na fragilidade humana que inicia-se e encerra-se nossa humanidade em toda sua plenitude. Podemos observar reflexões críticas em relação a cirúrgia plástica, as questões de gênero, a identidade, a liberdade e às relações sociais. Ambas visivelmente articuladas.

A trilha sonora merece muita atenção, pois é de uma qualidade sonora excelente, além de nos permitir mergulhar pela cultura européia e latina. O Brasil aparece através de músicas e por meio dos personagens Zeca (Roberto Álamo) e Marília (Marisa Paredes).
E para que eu não descreva mais do que deva ser revelado, encerro-me por aqui, ainda digerindo esta incrível produção cinematográfica.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Cultura elitizada

Iniciei os primeiros rascunhos desta postagem no final do mês passado, mas a correria cotidiana tem me aprisionado e, portanto, falta-me tempo para dar o devido valor ao assunto. No entanto, ao ler o artigo Cultura de crises ou crise de cultura? do Doutorando Rafael, acabei me rendendo a esta velha discussão que permeia minhas reflexões: Cultura x Acesso.

Muitos teóricos defendem que a cultura e a educação são os pilares da democracia, igualdade, cidadania e emancipação. Contudo, temos alguns paradigmas como Cuba, que nos revela que há uma necessidade de estender estes à outros itens de direito, como o acesso a bens e serviços de qualidade, dentro do âmbito da saúde, propriedade privada, alimentação e afins.

Porém, como este assunto é amplo minha intenção aqui não é trazer conclusões, mas sim, reflexões. Nesse sentido, não irei discorrer uma comparação mais intríseca - não nesse momento. Entretanto, dentro desse universo, várias críticas perspassam minha mente, tais como o que é acesso à cultura - que em si já é tema para grandes discussões.

Outro ponto sempre presente em minhas discussões acerca da cultura, situa-se em qual é a participação da população na criação das políticas públicas culturais e qual a porcentagem que o governo deve reservar para a cultura.

Um bom exemplo da problemática existente nesse ponto é o que tem ocorrido atualmente em Belo Horizonte: Chico Buarque veio para lançar seu novo CD - o que deveria ter me alegrado sublimamente, contudo, sua vinda representou apenas uma cultura popular elitizada, uma vez que o ingresso custa R$290,00. Sendo assim, somente a elite econômica participará. Por outro lado, neste mesmo momento, recebemos a informação de que o governo mineiro diminuiu 18% da verba para a cultura. Restando-me recordar-me das produções intelectuais brasileiras, nascidas de uma elite que possui educação e cultura de qualidade, uma elite que tem acesso ao que se autodenomina música popular brasileira.

Nisso, surgiram algumas perguntas: Que elite é essa? Que música popular é essa? São respostas que não possuo, mas me encaminham em rumo a outras reflexões. Como por exemplo, na defesa de alguns pela popularização da cultura - o que temos observado em campanhas do Estado, onde este disponibiliza o serviço por preço mais acessível. O que acredito ser válido, porém, é apenas um início, um paliativo, pois o preço mais acessível contribui principalmente para os que já consomem cultura, ou seja, estes, passam a consumir mais, e os que não consomem, não se achegam a ela.

Mas afinal, é importante lembrar que acesso está além da disponibilização da cultura. Está nos mecanismos que nos permite chegar até ela. Dentro disso, me questiono acerca do que nos impulssiona a participação. Outro item que encabeça essa discussão, encontra-se em o que faremos com essa disponibilização, com esse conhecimento da cultura. Em suma, o que ela produzirá em nós e por meio de nós.

Em seu artigo, Rafael defende a necessidade de uma sociedade de cultura que se contraponha à sociedade de consumo, o que sou a favor. Já Stuart Hall defende a necessidade da utilização dos mecanismos já existentes, como a cultura popular (futebol, carnaval, maracatu e afins) para a difusão de novas discussões. E o principal, como um canal de emancipação e cidania. O que é de um valor imensurável.

Sendo assim, qual será o primeiro passo?

Desconstruir a cultura elitizada?

Como?

Por meio da participação popular frente a construção das políticas de cultura?

Com certeza.

Mas como o povo se achegará a cultura?

Quem o levará?

O Estado?

Muito pouco provável.

O próprio povo?

Talvez.

E como sugeri no início, que a discussão permaneça.


[perdoem-me pelo sumiço, espero que ano que vem as coisas se regularizem]

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

É tão bom



É tão bom te ver entre girassóis e estrelas.
Deixar o coração bater sem medo.

[Entre reformas na casa e falta de tempo, consegui dar uma escapada e sexta foi dia de prestigiar Lô Borges no SESC Paladium. Grande show, boa companhia. Domingo foi dia de Ópera, os dramas italianos, chocolate quente e a ]

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Paradoxo de um coração

Na esquina te encontrei, entre copos e buracos à sinuca de duas vidas. Pensei ser tarde, pensei estar resolvida, porém, a lua falou-me palavras de amor, e o tempo pregou-me peças que ainda não completaram o quebra cabeça. Era noite, o menino bonito de olhos de ressaca contava-me do velho. Enquanto ouvia-o sentia o odor agradável do novo. Paradoxo de um coração. Um abraço. A estrada. A estação. Meu sangue pulsando, minha mente distante, num longe quase conhecido. Numa saudade constante. Num querer outros olhos, outros sorrisos, o novo. Sim, é outubro. Sim, é primavera. Sim, é temporada das flores. No entanto, também das chuvas e de um inverno contínuo alojado em minha alma. Perguntas batem à porta e o que me resta é procurar por respostas. Contudo, as gavetas estão repletas de outras histórias, outras fotografias. São meros borrões. É o novo, mas ainda o velho... paradoxo de um coração...
[o tempo ainda é curto, a estação é percebida de longe e vez ou outra eles falam comigo: a, b, c]